Pendulum [fic]

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Capítulo 22: A Tentação de Genbu

Mensagem  Jack Jerripher em Qui Jun 13, 2013 3:47 pm

Paredes, caminhos ocultos, pedras e rachaduras, não importava o quanto Syon andasse naquele labirinto, não conseguia achar algum caminho diferente do que ele já havia visto, já tentara os velhos truques, quebrar paredes e marcar o caminho, mas não só as rochas de quais as extremidades eram feitas já se curavam em um instante, como suas marcas misteriosamente desapareciam sem explicações, a questão era continuar andando, porém, o sol que resplandecia acima era escaldante, o garoto pensara ter sentido o cheiro de maresia há alguns minutos atrás, então era bem possível que a construção estivesse em uma praia, o pensamento de que ele deveria chegar até a praia também o ocorreu, mas o cheiro logo evanesceu, como se tivesse percebido que o garoto o notara. A boca do Medusa estava seca, sua visão tornava-se mais e mais nublada a cada instante, apoiou-se em uma das paredes à seu lado, retirando seus óculos, ele retirou o suor de suas lentes, e prosseguiu.

Algo mudou naquele local, uma estátua de pedra, de uma tartaruga de duas cabeças, estava no centro do caminho, sua visão continuava a deteriorar-se enquanto ele se aproximava da obra, que parecia ficar estranhamente mais nítida em proporção inversa aos seus arredores, tropeçando, o garoto caiu de joelhos, com sua face próxima às do réptil, até que percebeu que os olhos de ambas as cabeças faiscavam em uma cor cinzenta, - Bem-Vindo, você deve ser Syon, o garoto precisou piscar duas vezes para confirmar o que estava vendo, a boca de uma das cabeças se abriu, e dela saíra a voz idosa e ríspida, - E se ele não for Syon? Indagou a segunda cabeça, com sua boca também escancarada, desta vez com uma voz infantil e rude, - Se aceitar nos ajudar, devemos avisá-lo que os testes que precisará enfrentar serão um teste à sua pessoa, começou a primeira cabeça, - Ou não, terminou a segunda, - Se eu não aceitar estarei aqui para nada, ele respondeu, franzindo o cenho, por mais estranho que parecesse, ele sentia-se mais à vontade ali do que com os seus amigos, no momento, - Aceito! Ele confirmou, - Podemos começar? A voz idosa falou, - Ou não podemos? Voltou a voz nova, o garoto assentiu com a cabeça, a estátua desapareceu, revelando um corredor, pelo qual o garoto seguiu.

Com passos incertos, Syon continuou pelo caminho, que, ao contrário da parte anterior do labirinto, cujas pedras eram de um cinza sorumbático, as paredes desta secção possuíam um tom verde, apresentando também musgo em seus meios, ao dobrar um canto, o garoto precisou parar no meio do caminho, - O que estão fazendo aqui? Perguntou ele, duas outras pessoas estavam no mesmo caminho do que ele, um era um homem alto de cabelos negros espetados e a outra era uma mulher loira de olhos azuis, ambos se aproximaram dele, era muito estranho que houvessem outros no teste de Genbu, porém, Syon não desconfiou, até por que, já vira coisas mais esquisitas, a mulher então estendeu sua mão para ele, que a segurou, sem pensar muito no caso, mas assim que ela fechou sua mão na dele, o homem, carregando uma lâmina, desferiu um corte horizontal em seu pulso, o sangrando, em pânico, Syon desvinculou seu braço das mãos da garota, que sorria para ele, tapando sua ferida com a outra mão, ele preparou-se para um confronto, mas tal hora não chegou, ninguém mais estava naquele corredor, e talvez ninguém nunca estivera, olhando fixamente para sua ferida, ele precisou rasgar um pedaço da bainha da camisa para estancar o sangramento, ''Pena que não posso usar minha Magia de Cristal em mim mesmo...'' Lamentou-se ele, seguindo em linha reta.

Desta vez, o caminho até a próxima parte foi mais curto, as paredes agora tomavam uma tonalidade castanha, a coloração da terra à seus pés lembrava o garoto de sua terra natal, nas montanhas, os dias de árduo treinamento, do qual ele nunca gostou, dada a sua natureza pacifista, e ele então percebeu que tal nostalgia não era coincidência, lá, à sua frente, estavam seus pais, Pérdicos e Najara, - O que... Começou ele a perguntar-se, mas ambos apenas balançaram sua cabeças, como se desaprovassem do filho, e se viraram, a ferida, ainda sangrando, em seu pulso, começara a coçar, ele precisou de muito autocontrole para não agradar à seus desejos, e ao invés disso, resolveu segui-los, já suspeitava, é claro, de que fossem apenas visões, mas isso era parte do desafio, mesmo com os passos irregulares que dava, devido à perda de sangue, conseguira chegar em um local familiar, era a vila na qual ele fora usado como curandeiro, sabia exatamente onde ir, diretamente para a casa do monstro que o prendera, abriu a porta vagarosamente, já temendo sua própria memória do local, subiu pela abertura de caverna, e estava novamente... naquele local...

As estalactites afiadas continuavam em seus locais, a sala decorada com as fogueiras também, mas o que importava naquela cena era mesmo o trono, as marcas nos braços e pernas de Syon começaram a coçar também, ele quase sentia vontade de parar com tudo aquilo... Até perceber que não estava lá apenas um trono, mas cinco, em cada um deles, seus amigos estavam sentados, enquanto um par de Syons para cada trono pregava-os os pés e atava as mãos, - NÃO! Protestou ele, se aproximando, mas outro par de clones de si mesmo o agarraram, e o arrastavam em direção à um sexto trono, que brotara agora mesmo do chão, e este agora era coberto por espinhos metálicos, ele não conseguira resistir às duas cópias, e sua mais nova ferida começava a latejar e arder como nunca, como se o chamasse, ''Não seria mais fácil desistir, não estancar mais a ferida?'' Pensou ele, mas logo depois sua consciência gritou mais alto, era apenas uma ilusão, percebendo isso, a sala na caverna desapareceu, junto com os outros coadjuvantes, deixando Syon no fim do último caminho, todas as rochas à sua volta eram vermelhas, com um solo cor de vinho, ele podia ver a saída do labirinto bem à sua frente, e um pouco adiante, na borda da areia com o mar, estava uma pira com uma chama acesa, porém, ele não estava sozinho naquela praia...

Ele podia ver duas silhuetas se beijando, e embora não pudesse vê-las por completo, tinha uma boa ideia de quem eram, Sophie e Jean, a amiga que ele amava e o garoto rico, ''Mas é claro, nunca tive chance'', refletiu ele, mesmo com a consciência de que aquilo era uma visão, ele sabia que também representava a realidade, vira ambos na mesma situação, no navio de Jean, ''Por que estou vivendo?'', perguntou-se, mas não conseguia chegar em uma resposta, fitava o nó que fizera com a tira de sua camisa, com o intuito de parar o sangramento, e movera sua mão para ele, ''Devo soltar o nó''? Ele questionou-se, caindo de joelhos na areia, preparou-se para desfazer a atadura, porém, algo começou a incomodá-lo, algo caiu de seu rosto, na fina areia à sua frente, e refletiu o brilho do sol do fim de tarde, eram seus óculos, os que ele ganhara de Sophie, o primeiro gesto caridoso que ele recebera em um longo período, sem nem ao menos fazer nenhum esforço para controlar-se, um sorriso abriu em seu rosto, ele juntou as lentes caída e as firmou no rosto, andando em direção à pira, passando pela estátua de dois amantes entrelaçados, ele recolheu um espeto do chão e estendeu à chama, assim que o fogo tocou o objeto, a água começou a tremer, e dela saiu uma criatura pesada e enorme, duas cabeças e quatro patas saíam de fendas em seu casco negro e com algas crescendo, - Genbu, a Tartaruga Negra do Norte, Syon afirmou, a cabeça idosa assentiu, enquanto a jovem discordou, fazendo o garoto rir, percebendo o que precisava fazer, ele encostou o fogo no réptil, e então, percebeu que marcas negras em sua pele verde começavam a desaparecer, - Obrigada, jovem Syon, por arriscar suas próprias emoções para nos salvar, mantenha sempre sua empatia e essa gentileza, comentou a voz geriátrica, com o hálito amargo da idade, - Foi... tudo bem, você fez um trabalho OK... Denotou a cabeça jovem, - Nosso presente à você é que aproveite tudo o que você tem, e saiba tomar suas decisões no futuro, ambas as cabeças falaram em uníssono, ele sorriu para ambas, antes de apertar o nó de sua bandagem com força, antes de desaparecer em uma luz resplandecente.
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Re: Pendulum [fic]

Mensagem  Daphne Thyelis em Sex Jun 14, 2013 12:44 pm

Por mais estranho que pareça, meu teste favorito foi esse último, mesmo sem ação, ele foi o mais psicológico.
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Capítulo 23: O Sermão de Seiryuu

Mensagem  Jack Jerripher em Qui Jun 20, 2013 3:22 pm

- Já vi muitas coisas impressionantes em meu trabalho... mas essa ganha o prêmio! Declarou Renée, de olhos como pratos, enquanto vislumbrava a criatura, era um colossal dragão, enrolado em uma torre branca, suas escamas eram de um azul celeste muito bonito, com alguns pelos verdes que cresciam em suas costas, embora em um plano elevado, ela conseguia ver a face do majestoso réptil, seus quatro olhos estavam fechados, em uma expressão de dor no rosto, em sua boca haviam traços de amarelo e creme, não possuía asas, mas trazia grandes garras em seus quatro membros, distribuídos ao longo de seu corpo serpentino, - Bem Vinda, mulher forte, ao meu local de descanso, denotou ele, falando por telepatia, - Essas marcas em seu corpo... Notou a mulher, - Minha tarefa é removê-las? Perguntou, - Sim, mas para isso, precisa completar uma tarefa heroica, devolveu ele, com uma voz profunda, carregando grande nobreza em seu timbre, - Isso não faz muito sentido, mas suponho que esse é o estranho mundo onde vivemos! Ela supôs, dando de ombros, - Muito bem, filha, deve ter sido difícil ter se encaixado no mundo dos monstros, a maioria de vocês humanos preferem esconder, mesmo que saibam da existência dos outros, disse o Dragão Azul do Leste, e estava certo, - Como você se meteu entre seu mundo e o mundo onde monstros existem? Perguntou a voz da deidade, Renée estava prestes a contar, quando se viu na cena novamente, ''Deve ser parte de minha tarefa heróica'', pensou ela.

Estava em um pub com o futuro marido, e também futuro pai de seu filho, olhava para ela mesma, sentada e rindo da trova que recebia, percebeu o quanto seu rosto havia se tornado mais duro na década intermediária, e como era magra, com as pernas ossudas, quando mais jovem, se achava mais bonita naquela época, embora ainda a considerassem uma mulher muito bonita nos dias de hoje, se casara tarde, pois perdera o primeiro namorado antes da cerimônia, demorou para encontrar outro grande amor, sua família praticamente a deserdara por não se casar, mas, por sorte, conhecera aquele homem, aquele que ela agora via conversando consigo em um pub, era um cavalheiro à frente de seu tempo, estudado e bem-nascido, embora mais jovem do que ela, e não particularmente bonito, compreendia o valor da mulher muito antes de uma sociedade daquele século, fora uma descoberta tão maravilhosa quanto seu amor havia sido, mesmo que a paixonite inicial entre ambos tenha eventualmente acabado, partiram como amigos, embora ainda se desentendessem de vez em quando, ele cuidava mais de Vicenzo, pois percebia os perigos do trabalho da mãe, o mesmo trabalho que ela conheceria dentro de minutos...

Após terem pago o jantar, seu prometido a pegou pelo braço e levou-a passear, ela sabia onde iriam mesmo antes de se lembrar onde foram na data, ''o parque'', recordou com nostalgia, os seguiu até a macia mata entre árvores, à beira de um belo lago, onde a lua cheia se refletia no meio, via e recordava os beijos ainda tímidos que ele lhe dava, duas mulheres idosas passavam pelo lado de fora do parque, parecendo desgostosas com o amor de ambos, pensando nele como uma indecência, mas o casal não se importara, Renée riu ao ver a expressão das velhas, ''afinal, do que elas sabem sobre a coisas realmente assustadoras da vida?'', questionou-se, de repente, ouviu a voz do ex dizendo que iria comprar vinho e já voltava, ela respondera com um doce ''Eu te espero'', Renée mal podia acreditar o quão bobinha e inocente ela era, seu coração começava a pular fora da garganta, ela sabia o que aconteceria, sua eu de anos atrás parecia distraída por algum motivo, ela não precisou pensar muito para se lembrar do que, pois voltou a ouvir o som que ainda gelava seu sangue até os dias de hoje, um uivo penetrante ecoou pelo parque inteiro, os patos que tomavam um banho noturno na lagoa rasa levantaram voo assustados, a ela do passado parecia procurar a origem do som, pois lobos nunca se aventurariam dentro de uma cidade, não é? 

Movimentos silenciosos, mas sombrios, entre as árvores podiam ser sentidos na pele, enquanto uma silhueta negra como piche se revelava na outra margem do lago raso, os pelos na nuca da caçadora se eriçaram, como haviam feito naquele mesmo dia, oblívio ao grande animal, seu companheiro voltava com o vinho e duas taças em mãos, - Querido, não se aproxime, ela sussurrou, - O que disse? Não estou te ouvindo! Declarou ele em alto e bom som, o medo se apoderou dela, quando, ao som da voz de seu prometido, a fera no outro lado da lagoa mostrou dentes brancos como a lua, e desatou a correr pela água, que não chegava nem à seu focinho, quando o cavalheiro o viu, era tarde demais, tentara se jogar na frente de Renée, mas foi lançado para o lado com uma forte patada, ''Que sorte a minha... o primeiro monstro que encontro, também acontecia de ser um Lobisomem descendente do original...'' Refletiu ela, olhando em volta, à procura do caçador que a havia ajudado, mas sem sinal dele, ainda se lembrava de vê-lo de relance, atrás de uma árvore, era um homem alto e robusto, com bigodes laranjas de leão marinho e cabelo preto cortado rente, a fera saltou sobre a mulher, rasgou um pedaço de seu vestido rosa, ela ainda não acreditava que algum dia se vestira daquela cor, embora não pudesse sentir agora, lembrava-se vividamente dos olhos sangrentos da besta, de seu cheiro acre de sujeira, seu hálito de morte e da dor que as garras longas lhe causaram, sua perna havia reagido ao fantasma de sua dor, pois o lugar onde lhe cortara era marcado com uma ferida, que ainda coçava de vez em quando, - Onde está o caçador...? Sussurrou ela, agarrada em tronco.

Vira o lobo rasgar-lhe a bochecha esquerda, - Estranho... não me lembro de... Murmurou ela, mas parou, pois algo quente lhe escorria no rosto, em seguida, o animal mordeu seu braço, e desta vez, ela pôde sentir o peso de uma segunda mandíbula mordendo seu membro, quase gritou, mas percebeu o que deveria fazer, tentara retirar uma adaga de sua bolsa, mas só então percebeu que ela não a havia levado para ''tarefa heroica'', a próxima melhor opção era... um galho pontudo, agarrou o graveto do chão e correu com ele estirado, cravou-o no meio das costas do Lobisomem, que ficou bípede ao uivar de dor, arrancou o objeto externo, e lançou-lhe na lagoa, antes de voltar às quatro patas e disparar em uma corrida contra ela, a caçadora precisava pensar rápido, enfrentava um fera descontrolada e com a força descomunal, e ainda por cima sem armas, sentia a dor no braço esquerdo, onde ele acabava de morder sua eu do passado, mas não queria mesmo olhar para a mordida, observou um galho curvo à sua frente, e utilizou o truque mais velho do livro, puxando-o ao passar, a elasticidade do galho o fez chicotear a fera no nariz, irritado, o lobo espirrou um pouco de sangue, mas continuou sua corrida louca trás da presa que lhe ofendera, no caminho, Renée tropeçara em uma grande pedra, caindo ao chão, a criatura voou sobre ela, causando um sorriso no rosto da mulher, que rolara para o lado, fazendo o animal atingir a pedra com toda a força, algumas garras quebraram, sangue empapava seu pelo de ônix, mas ele continuou atrás dela.

- Que fazer... que fazer!? Perguntou a si mesma enquanto disparava entre as árvores, sabia que a criatura a alcançaria eventualmente se nada fizesse, olhou e volta, as únicas coisas que conseguia ver eram árvores e a água rasa, com a lua refletida,  precisava de algo mais definitivo... mas, o quê? Por fim, decidiu que o que iria usar eram mesmo as duas coisas que via, porém, de uma maneira engenhosa, mudou o curso de sua corrida, embora soubesse que fazê-lo não seria muito inteligente, pois a fera o faria melhor e mais rápido, pulou no vão entre dois troncos que cresciam próximos, e aterrissou na beira da lagoa, a besta, mesmerizada pelo brilho que ativava sua maldição, fez o mesmo, mas era largo demais, ficou com a cabeça presa no espaço entre os troncos, a mulher sabia que ele eventualmente arrancaria as raízes das árvores do lugar, e portanto, foi rápida e inescrupulosa, aproximou-se solenemente da fera, e antes que ela pudesse mordê-la, colocou as mãos dos lados de sua cabeça, e virou seu pescoço, matando-o instantaneamente, o lobo regressou a ser um humano, um senhor careca e de bigodes negros, Renée o deixou entre as árvores, isso explicaria como morreu quando seu corpo fosse encontrado, ela bateu as mãos juntas, para sinalizar o fim de um trabalho, e se dirigiu à sua eu do passado, ela estava chorando contra uma árvore, em estado de choque, a Caçadora achou muito estranho falar com ela mesma, mas o fez mesmo assim, - Está tudo bem agora, disse ela, com a mão em seu próprio ombro, - Obrigada, sussurrou ela, quase sem voz, - O que você é? Perguntou, Renée olhou no próprio rosto mais jovem e disse, - Uma caçadora, a melhor! Procure o velho frei, e o pergunte sobre Baal Stolas! Deixou sua forma do passado confusa, mas sabia que tinha feito o que precisava.

- Performance estupenda, mulher forte, notou o dragão, uma pira dourada com uma chama vermelha crepitando apareceu à sua frente, ela ergueu um graveto, fazendo-o queimar, e encostou no corpo azulado do Dragão Azul do Leste, seus olhos de um bonito lilás se abriram, e os grilhões em seu corpo desapareceram, - O conceito dos humanos comigo cresce mais a cada dia, afirmou Seiryuu, - Disponha, Renée sorriu para ele, - Agora escute minhas palavras, Mulher Forte! Nunca se esqueça de quem é de sua origem, isso a levará longe na vida! A mulher sorriu, com memórias de sua vida passando em sua cabeça como fotos velhas e queridas, - Você não precisava me dizer isso, mas agradeço, ela ofereceu-lhe a mão, e em um gesto simbólico, a deidade encostou nela sua garra, como um aperto de mãos, uma luz branca ofuscante a tirou daquela dimensão rochosa, - Onde estou? Perguntou ela, confusa, - Rápido, Renée! Precisamos ajudar a Robin! A voz que lhe falara, era a de Jack, que a sacudia em sua cadeira, no Pérola Branca, com um olhar, a Caçadora se aterrorizou, dentro de um dos cristais de cura de Syon, estava Robin, profundamente ensanguentada, parcialmente queimada, e com alguns ossos aparecendo...
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Capítulo 24: O Desafio de Ouryou

Mensagem  Jack Jerripher em Qui Jul 11, 2013 3:36 pm


Um salto após o outro, Robin pulava de pedra em pedra, escalando o Monte Fuji, a fumaça dourada estava a sua volta, o que a fazia tossir de tempos em tempos, a Dainslef raramente se desequilibrava, pois seu trabalho como acrobata era bem conhecido pela Europa, seus pés a firmavam com facilidade, e o corpo parecia se equilibrar, leve como uma pluma, ''Estou chegando aí...'' pensou, encarando a fenda que via mais no topo da montanha, não era difícil imaginar um Dragão morando naquela fenda, uma abertura parecida com uma bocarra escancarada, suas pedras eram pontiagudas, como dentes, a pedra na qual Robin aterrissou parecia querer cair, e por isso, ela foi obrigada a saltar pela abertura, agarrando-se a um dos dentes, ela se ergueu com a força dos braços, e adentrou pela bocarra, de onde a fumaça dourada estava vindo, - Começo a achar que não devia ser eu a fazer isso, disse ela, enquanto transformava o braço em uma besta, segurando-o pronto para atirar, prosseguiu entre os geysers, tomando cuidado para não ser escaldada pela água borbulhante, ''Por que eu fico com o chefão?'' Pensou ela, antes de se sentir profundamente egoísta, - TEM UMA BOA RAZÃO PARA SER VOCÊ, HUMANA! Rebombou uma voz, vinda das profundezas daquela caverna, - Não sou humana! Anunciou ela em resposta, segurando sua besta, antes que lhe ocorresse que talvez não devesse responder à sinistra voz...

- HUMANOS, MONSTROS... SÃO A MESMA COISA PARA MIM, martelou a voz, enquanto a jovem chegava cada vez mais perto de sua fonte, por um corredor escuro, ''Como pode pensar que monstros e humanos são iguais...?'' pensou ela, e para sua surpresa, a resposta veio, - QUANDO SE VIVE DESDE O PRINCÍPIO, SE VÊ QUE VOCÊS NÃO SÃO TÃO DIFERENTES ASSIM... MENTEM, MANIPULAM, TRAPACEIAM, COBIÇAM, SÃO A MESMA COISA... A voz soava como tambores, vindos de um lugar diferente, e a garota tremeu, ao perceber que Ouryou pudia olhar até mesmo para seus pensamentos, - Que... que razão é essa para  me testar contra você? Ela perguntou, sua voz ecoando para um local além daquele túnel, - VOCÊ MESMA JÁ A SABE, ESTÁ PENSANDO NA RAZÃO CORRETA AGORA MESMO! Anunciou a voz, que inspirava ao mesmo tempo respeito e medo, - ESTÁ MENTINDO, ESCONDENDO FATOS IMPORTANTES DE SEUS AMIGOS, NÃO É...? Perguntou a voz, o coração de Robin se acelerou, não queria nunca mais voltar a pensar naquele assunto, mas a voz do Dragão Dourado do Centro parecia trazer aqueles pensamentos à sua cabeça. Após andar a esmo pelo corredor, tentando esvaziar a cabeça para que a deidade não a pudesse responder, Robin chegou em uma sala oval, com alguns pilares de chama brotando do chão, e diretamente à sua frente, em um trono de ouro, enrolava-se uma criatura gigantesca, espigões em formato de ''s'' e com cor de cobre cobriam suas costas, mas a criatura era completamente dourada, além de estranhos grilhões negros que lhe prendiam o pescoço, e possuía oito olhos, com quatro em cada lado do rosto, brilhando em cores brancas como faróis, um abaixo do outro, sua boca estava escancarada, mostrando afiados dentes brancos, porém, a Dainslef não conseguia compreender sua expressão facial, não parecia um sorriso ou uma expressão de raiva, como a voz que lhe saía da garganta, mas parecia... triste... Sua voz ressoou mais uma vez, - ESTÁ NA HORA DE TESTAR SUA RESISTÊNCIA INTERNA E EXTERNA! Uma chama de cor dourada saiu de sua boca, Robin tentou desviar, mas não encontrou suas pernas, o dardo que atirou de seu braço se dissolveu com o calor, e seu jato veio quente e mortal.

Robin acordou de susto, estava em uma espécie de labirinto, feito com grades de metal, suspensas pelo teto sobre um rio de lava, um rugido vindo de trás a assustou, e quando se virou para verificar, se encontrou face a face com Ouryou, seu brilho resplandecia através da grade em que estava, com um rugido, abriu sua boca, revelando chamas vermelhas, não perdendo tempo, a garota correu adiante em uma linha reta, descobriu-se tropeçando com seus saltos, ela os retirou, ficando com os pés nus, e conseguiu desviar do fogo, não sabia explicar, mas sabia que desta vez morreria se fosse atingida. Passos eram ouvidos na caverna, se aproximavam cada vez mais do corpo, ao chegarem em uma sala completamente vazia, se aquietaram, até verem sua amiga, profundamente machucada, deitada no chão ao centro, Syon foi rápido em envolvê-la em sua Magia de Cristal, enquanto os outros dois, Jack e Sophie, se recuperavam do choque de vê-la naquele estado, embora estivesse demorando para ter efeito, podia-se ver que algumas camadas de profunda queimadura estavam sarando, e menos ossos apareciam sobre sua pele, que voltava a crescer, - Agora podem pegá-la! Syon declarou, Jack e Sophie se entreolharam, nenhum dos dois tinha certeza do que estavam prestes a fazer, mas ao olharem para Syon, viram que ele também tinha lágrimas nos olhos, - Por favor, não me deixem fazer isso sozinho... murmurou ele, enquanto mantinha as mãos estendidas, para utilizar a magia, ambos os jovens, finalmente engoliram em seco e levantaram o corpo da amiga, surpreendendo-se pelo fato do cristal magenta não parecer ter peso algum.

Estava agora em uma sala cúbica, também feita de grades, assim como o resto do labirinto, mas ela havia perdido o Dragão de vista, olhou em volta, na gaiola na qual se encontrava, mas não via nada, até que sentiu uma movimentação com seus pés, Ouryou estava flutuando por baixo da gaiola, ela pulou para o lado, bem em tempo de se desviar de uma chama verde, mas após tê-lo feito, ouviu a voz da criatura em sua cabeça, desta vez não imponente, mas em tom de escárnio - Se considera uma ''artista de circo'', e é até vista como ''celebridade'' por alguns, me faz perguntar o que seus amigos e fãs fariam se descobrissem que Robin L. Sierra era apenas um membro de uma equipe de saltimbancos, as forças da garota desapareceram sobre aquela acusação, quis negá-la com toda a sua força, mas conseguiu apenas lembrar-se, flashbacks de uma garota mais nova, de rabo-de-cavalo em um vestido de malha, distraindo o público com uma dança, enquanto seus colegas roubavam seus bolsos, fazia agora um número de acrobacia, pulando de um balanço ao outro, enquanto, por debaixo das arquibancadas, seu chefe surrupiava carteiras, e por fim, quando não era sua vez de se apresentar, usava seu charme, e vestida de palhacinha, chamava algum espectador bobo para dançar, e o roubava de suas posses, relógios de ouro, heranças de família, e até mesmo fotos, para que vendessem, - Ha! Belos espetáculos! Riu-se a voz em sua cabeça, enquanto a garota simplesmente sentava em sua cela, com o remorso de tudo o que fez de errado subindo à garganta como vômito, o Dragão enrolou-se, e entrou na gaiola por uma fenda, seu corpo serpenteou até encarar a garota de frente, e começou a absorver energia, criando uma pequena chama negra, que crescia entre seus dentes...

Renée acordara de sua missão completa com o Dragão Azul do Leste, e estava paralisada ao ver o estado no qual se encontrava Robin, posta em cima de uma mesa, sendo curada pela Magia de Cristal de Syon, com ajuda de Magia de Cura de Ur e do Vigia, ela se levantou, e ainda desnorteada, foi até Teresa, que chorava abraçada em Jack, e o próprio irmão dela tinha uma expressão branca nos olhos, ao procurar explicação se dirigiu à Sophie, - Eu não sei... eu... nós a encontramos... ela... nós a encontramos... Monte Fuji... eu... nós... A caçadora abraçou a Harpia, dando palmadinhas em suas costas, tentando confortá-la em seu estado catatônico, e pôs-se a observar o corpo, que não parecia muito com o da amiga, ela nem ao menos sabia explicar como soube que era Robin, simplesmente lhe evocou, sentiu então um puxão em sua blusa, e largou Sophie, que sentou-se com as mãos enfiadas na cara, era o garotinho que estava junto a Ur, Jeliel, - Sua amiga está enfrentando duas batalhas, que são na verdade a mesma, uma interna e outra externa, ele lhe disse, sem poder articular, Renée observou o corpo novamente, era como se tivesse parado de se curar,  aproximou-se da mesa na qual ela estava sendo tratada, e mesmo com protestos dos que a curavam, ela se ajoelhou ao lado de Robin, e pegou sua mão, que estava queimada e vermelha, o corpo estremeceu sobre a mesa, ao notarem a diferença, tanto Jack como Sophie, seguidos por Teresa e até Typho, se dirigiram às duas, envolvendo suas mãos com as delas, Typho com seu rabo, Syon relutantemente se aproximou, e mantendo a magia com a mão esquerda, agarrou as mãos dos outros com a direita, todos eles fecharam seus olhos.

''O que é isso?'' Robin interrogou-se, sentia um calor estranho e reconfortante cobrindo seu corpo, muito diferente da primeira chama de Ouryou, era uma chama que não queimava, mas ardia mais forte do que um sol, ela sentiu sua força voltando, e viu seus amigos em sua volta, como isso era possível, ela não sabia, mas agora tinha receio, seus amigos estavam vendo os flashbacks com ela, e observavam seus erros passados com faces tristes, mas quando se viraram novamente para ela, sorriam calidamente, - Pessoal... por quê?  Os questionou, - Você largou o grupo para seguir seu caminho, fez isso pois não queria continuar com o que estava fazendo, certo? Sophie perguntou, e a garota confirmou, - Todos erramos, mas você já está no caminho certo para consertar, Renée a disse, - Não nos incomodamos por nos esconder segredos, começou Teresa, - É só que você pode pedir ajuda se precisar, Syon a disse, e com um sorriso no rosto, o que surpreendeu a todos, Jack a disse, - Se agiu pelo caminho errado primeiro, pode consertá-lo também com suas ações, lágrimas quentes rolaram pelo rosto da garota, - Vocês... eu sempre escondi e menti, era egoísta, pensava que não iam me aceitar se conhecessem meus erros... mas... estava errada, vocês são amigos verdadeiros, disse ela, engolindo o choro, os outros estenderam suas mãos, tocando nas costas da garota, que se levantou afinal, os olhos do dragão moveram-se para uma expressão de surpresa e de felicidade, - Sem mais ter pena de mim mesma, posso consertar meus erros! Ela anunciou, Ouryou disparou sua chama negra, mas Robin estendeu sua mão à sua frente, e a parou, - Muito bem criança... Murmurou o Dragão em sua mente, a chama negra voltou de suas mãos e atingiu o corpo de Ouryou, quebrando seus grilhões, - Você e seus amigos são a esperança deste mundo e das pessoas que o habitam... Nunca desistam! A voz lhe falou.

O cristal roxo se quebrou, e dentro saiu uma Robin completamente curada, - Pessoal... podem me largar agora, minha mãos está suando! Ela sorriu, o resto a abraçou todos de uma só vez, rachando a mesa, e derrubando todos no chão, - Nós pagamos... Sophie prometeu à Ur, mas a mulher apenas negou com a cabeça, - Vocês retornaram tudo ao normal, ajudaram os cinco guardiões e passaram por seus desafios, não há maior agradecimento, Alma se despediu da mulher e de Jeliel, indo com o vigia de volta ao SS. Mary-Dalve, ficaram surpresos, e por vez de Syon, aliviados, ao descobrir que Jean não estaria com eles na volta, tendo coisas a comprar e negociar no Japão, - O que é ser rico... Renée suspirou, fazendo os outros rirem, Até que o Vigia começou a falar, com orgulho na voz, - Sabem, lembro do primeiro dia que os encontrei na mansão, não levei fé em vocês, pareciam um bando de crianças, mas os vi fazerem cada coisa, e não falharem uma vez em defender o mundo e aos outros, podem não ter completado seu destino ainda, mas eu me orgulho de vocês... Ele denotou, e o grupo deixou o Japão para trás, catando em grupo na proa da embarcação, com a lua à suas frentes.

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Capítulo 25: O Decreto do Rei

Mensagem  Jack Jerripher em Qui Jul 18, 2013 3:13 pm

"As leis existem, mas quem as aplica ?"

Dante Alighieri, Purgatório - Juízo I

- Argh... Por que temos que fazer trabalhos tão nojentos... Robin reclamou, enquanto removia pó de suas articulações metálicas, - Para ajudar humanos e monstros com problemas que apenas monstros podem resolver, respondeu Sophie, que embora tivesse esse conhecimento, estava obsessivamente limpando suas asas da fuligem, - Iria matar alguém se essas ruelas fossem limpas de vez em quando? Robin voltou a perguntar, - Acho que os superiores estão mais interessados com outros assuntos, disse Syon, esfregando seus cachos de cobra, para remover sujeira, - Seria ótimo se eles ao menos fizessem o básico... mas, o mero fato de que o povo precisa morar dessa maneira me diz que não há preocupação, Renée constatou, antes de Jack, que ajudava Teresa a limpar seu vestido, concordar, até mesmo Typho se esfregava nas paredes, mas só se sujava ainda mais ao fazê-lo. O grupo voltava de um trabalho que envolvera derrotar um Fantasma que usava a sujeira das ruelas como arma, estavam empapados em pó e lixo, enquanto se dirigiam para sua sede, chegando à Adle Street, - Ei, vocês estão ouvindo isso? Syon indagou, - Parecem... Cascos... e Trombetas... Jack pensou, pensando em investigar, seguiram o som, mas quando cruzaram a esquina...

A cena parecia estar congelada no tempo, os oficiais em seus cavalos estavam tão chocados quanto o grupo, mas ninguém parecia tão chocado quanto o Rei, Jaime II estava montado em castrado branco, no meio de sua comitiva de protetores, alguns segurando seu estandarte, - Uma... passeata real... Murmurou Robin, tão atônita quanto o resto de seus amigos, alguns dos cavaleiros da frente avançaram, e só quando estavam a alguns centímetros de pegá-los, foi que os seis decidiram fugir, voltaram pelos caminhos de onde vieram, - O que o Rei está fazendo aqui, de qualquer maneira?! Jack perguntou, enquanto corriam desembestados, - Ouvi dizer que às vezes os da família real fazem essas passeatas, é mais para o público ver, mas isso não importa agora!! Sophie exclamou, correndo também, - Oh Sophie, por que você está correndo quando tem asas!? Robin perguntou, exasperada, Sophie pareceu perceber a mesma coisa, mas Renée, entrando em seu modo sério, explicou, - Já é ruim o bastante que o REI tenha visto vocês em suas formas de monstro, não precisamos que Londres inteira veja uma mulher-pássaro, o grupo concordou, enquanto viravam uma esquina após a outra, porém... Chegaram à um beco sem saída, ouviam os cascos dos cavalos os seguindo, e estariam encurralados, - Tive uma ideia! Anunciou Teresa.

- Se seguiram por aqui, os pegaremos! Declarou o capitão da guarda real, eles viraram a abrangente esquina, e se depararam... Com apenas uma mulher, o chefe piscou duas vezes, era uma bela mulher, de sua idade, mais ou menos uns 40 anos, físico bonito, pele morena-clara e olhos cinzentos, seus cabelos longos eram negros como um corvo, - Minha nossa! Um Sir! Ou melhor, O Sir, capitão, ela estendeu sua mão, corando, o capitão se aproximou, descendo de seu corcel, ele beijou a mão da misteriosa fêmea, - O que estaria uma donzela tão bela fazendo em uma rua tão... simples... ele inquiriu, torcendo o nariz para o estado das paredes à sua volta, - Estava perdida, e... corri quando viu uns cinco jovens correndo por aqui... Ela constatou, secando lágrimas imaginárias das bochechas, - Espere aí... disse ''Jovens''? Ele inquiriu, torcendo a ponta esquerda de seu bigode, a donzela concordou com a cabeça, parecendo aflita, - Será possível que estavam apenas fantasiados, senhor? Perguntou outro dos membros da guarda, -... Deve ser isso, concluiu o chefe, roçando o cavanhaque pontiagudo, pareceu então reparar em um certo brilho nos olhos da mulher, e se virou, - Diga-me... querida... Começou ele, a mulher engoliu em seco, - Perdoe minha indelicadeza... mas... Seu sotaque é francês? Ele perguntou, corando, ela confirmou, aliviada, - Não reportarei nada sobre seus documentos, considere isso um presente por seu... charme, disse ele, sorrindo, ela agradeceu, - Podemos voltar, senhor? Indagou seu segundo em comando, - Levem Vossa Graça de volta ao palácio, mas depois disso, ainda seguiremos aquelas... o que quer que sejam, precisamos confirmar tudo! Com um último aceno, eles se retiraram, e Renée suspirou aliviada.

- Eu odeio suas ideias... Reclamou a Caçadora, bagunçando os cabelos de Teresa, após ter pulado a parede do beco, - Não só nos livrou agora, como nos deu tempo de sobra para fugir, Sophie cumprimentou a pequena, - Voar com eles para cima da parede te machucou? Renée perguntou, ao ver que a Harpia tocava em suas asas, - Me deixe te curar, disse Syon, olhando Sophie nos olhos, - Eu... hã... não precisa, disse ela, sem jeito, roçando um indicador no outro, o Medusa sorriu para ela, - Não tem tempo de ser durona agora, pode ser durona depois, disse ele, antes de envolver as asas de Sophie com cristais, a curando,  - Detesto estragar o momento, mas ainda não saímos da panela... Robin afirmou, - Ela está certa, disse Jack, e beliscou levemente a bochecha da irmã, - A gêniazinha da minha irmã pode ter nos salvo de um grande problema... mas ouviu o que o chefe disse, ainda não vão parar de nos perseguir, terminou o Dullahan, - O que fazemos agora? Syon perguntou-se, - Voltamos para a sede? Renée sugeriu, - Entre aqui e lá tem um entreposto da polícia, eles devem saber que estão procurando cinco jovens, Sophie teorizou, - Não seria melhor nos separarmos? Jack perguntou, - Não vai funcionar, eles vão procurar por todos os jovens, não apenas por um número específico, Robin explanou, - Tem razão, respondeu Syon, - Se ao menos soubéssemos como contactar o Vigia, poderíamos pedir algum conselho, disse Teresa, olhando em volta, - Pssiu! O grupo olhou para onde vinha o som, e da escuridão abaixo de uma abóbada, saiu uma freira jovem, - É a irmã que ajudamos com o Bakeneko! Teresa exclamou, - Tudo bem com vocês? Ela perguntou, - Mas que pergunta estúpida, eu  não pude deixar de ouvir seus problemas, sigam-me! Ela anunciou, antes que pudessem responder, e sem mais opções, eles o fizeram.

- Vossa Graça, ainda não conseguimos localizar aquelas criaturas, mas surgiu a teoria de que possam ser apenas jovens fantasiados, declarou o chefe da guarda real, que estava ajoelhado, à frente do trono de seu suserano, - Capitão Bloodworth, peço-lhe que não insulte minha inteligência, sei o que vi, ou está duvidando de minha sanidade? Indagou o Rei, - N-não, senhor, eu estava lá também, e vi o mesmo que o senhor viu, Alteza, mas, a mente prega peças nas pessoas... Ele disse, tremendo um pouco, - Pai! O capitão não quis ofender-lhe, lhe suplico, deixe-o voltar à suas atividades! Pediu a Princesa, sentada em um trono menor, ao lado de Jaime, Maria tinha herdado os cachos castanhos e olhos esmeraldas do pai, mas seu nariz não era nem de perto tão aquilino, seus olhos de corça encaravam os do pai, - Tudo bem, já que minha amada filha me pede com tanta inocência... Volte aos trabalhos, capitão! Declarou o Rei, - O-obrigado, Vossa Graça! Agradeceu o homem, - Chame o Mestre Turnblad, imperou Jaime II, a um de seus servos, ele voltou alguns minutos depois, trazendo um senhor robusto, cabelos rareando e ficando grisalhos, ele possuía um monóculo um tanto esfumaçado, que escondia um olho azul-elétrico, e rápido para a idade, - Alteza mandou me chamar? Ele perguntou, se ajoelhando, a muito custo, - Sim, temo que minha Londres esteja ameaçada, por uma horda de... criaturas, o Rei anunciou, Sr. Turnblad pareceu chocado, não completamente com a sanidade do Rei, ou com a natureza da proclamação, mas. não querendo ser complicado, ele concordou, - Quero que escreva e coloque em prática meu mais novo decreto! Nenhum cidadão deve ajudar e se envolver com tais criaturas, e todos devem se engajar com a procura, e delatar tudo aquilo que descobrirem sobre aquelas...abominações! O mestre das leis se retirou, pronto para escrever e por em prática o que lhe foi comandado, - Pai... Tem certeza disso mesmo? Ela pediu, - Sim filha, temo que sim, disse ele, com pesar na voz, a Princesa se levantou, e curvou-se ao seu pai, antes de se dirigir a uma porta lateral, - Onde vai, Maria? Pediu ele, - Ao jardim... Ela explicou, - Me desculpe, mas... Não posso deixar minha sucessora sair, com aquelas bestas ferozes atacando... Ele declarou, - Mas pai! Não pode fazer isso, ninguém está ''atacando'' ainda, eu não posso ficar trancada aqui! Ela afirmou, - Guardas, levem sua Princesa à seus aposentos, ordenou Jaime II, e eles assim o fizeram, apesar dos protestos da jovem, - Me desculpe... Anne... Murmurou o Rei, enquanto lágrimas escorriam de seu rosto, quando foi deixado sozinho.
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Capítulo 26: O Cerco na Rua Fleet

Mensagem  Jack Jerripher em Ter Jul 23, 2013 4:58 pm

Irmã Milton continuava a conduzir a equipe através de ruas sinuosas e entre casebres, atravessaram uma mansão abandonada, e por fim entraram no que parecia um minúsculo armazém, retirando as folhas mortas de outono, que cobriam o quintal de uma cor alaranjada, - Parece pequeno, mas suponho que estaremos à salvo... Notou Jack, ao ver a construção, - Não temam, lhes garanto que será bom o suficiente, disse a freira, com calma, eles entraram em fila indiana, e realmente não caberiam se ficassem lado a lado, - Que bom que aqui é bem fora do caminho, sussurrou Sophie, todos se surpreenderam, porém, quando a pequena irmã ajoelhou-se, e pareceu puxar algo de baixo de um armário, era um corrente, - Poderia me ajudar? Pediu ela educadamente a Syon, que assentiu, e a ajudou a puxar a corrente, Teresa precisou pular um pouco para o lado, quase caindo, quando um alçapão abriu-se no meio da sala, revelando uma escada, e a escuridão, - Vocês primeiro, disse a delicada mulher, segurando a tampa, os amigos olharam um para o outro, e então Renée desceu, - Qual é, enfrentamos perigos todos os dias, e vão ter medo de uma escada no escuro? Ela duvidou, e continuou descendo, antes de tropeçar e cair, Jack e Sophie correram atrás dela, seguidos por Robin e Teresa, mas a ouviram gritar, - Estou bem, estou bem! Enquanto se levantava, segurando-se no corrimão.

- Oh, o pai trancou você também, Anna? Perguntou a princesa Maria, jogando seus cachos para o lado, antes de se sentar na cama ao lado da irmã, - Sim, isso é muito chato! Eu queria ver essas criaturas de que o capitão e o pai falam! Gritou ela. Maria era uma mulher-feita, dezessete anos, sucessora do pai das duas, e Anna era mais nova, com oito anos, seu casamento nem havia sido arranjado ainda, ambas as irmãs possuíam os olhos verdes da mãe, embora apenas Maria tivesse os cachos castanho-claros do pai, pois Anna havia herdado as madeixas negras e lisas da avó materna. A irmã lhe lançou um olhar perverso, e falou, - E quando os guardas trocarem? Leopold está ficando velho e sempre tem ataques de tosse, explicou ela, - Então é assim que você escapa do seu quarto, sua rebelde, brincou Maria, - Eu não conto se você não contar, disse a pequena, a sucessora a olhou nos olhos, ainda duvidando, - Tudo bem, mas... vamos ter cuidado... está bem? Perguntou ela, - Sua galinha choca! Riu-se Anna, enquanto corria pelo quarto, - Sua... a mais velha rangeu os dentes, enquanto observava a sua irmã macaquear pelo seu quarto.

- Uma... Começou Robin, de boca aberta, - Biblioteca... Continuou Syon, - Subterrânea, Teresa completou, estavam observando uma grande construção, estantes e estantes de livros iam de parede a parede, archotes pendurados iluminavam o ambiente, embora ainda não fossem o bastante para deixá-los enxergar completamente, dezenas de pessoas os olharam quando a pesada porta se abriu, mas prontamente voltaram à suas tarefas de antes, - Essas pessoas... Jack disse, olhando para a jovem freira, - São monstros, como vocês, nós tentamos reunir o maior número possível de monstros, ainda mais agora, com aquele decreto... Ela respondeu, parecendo preocupada, - Decreto? Indagou Sophie, - O rei... Lançou uma busca por monstros, e pediu para que todos em Londres se apresentassem, e ainda ajudassem a procurar por criaturas, não faz muito tempo, mas a prioridade do anúncio já o faz funcionar, e mais e mais guardas agora andam nas ruas, o grupo então percebeu que muitas das irmãs também ajudavam a organizar o lugar, - Ainda bem que temos vocês para nos proteger, disse Syon, sorrindo, irmã Milton sorriu de volta, antes de descer a escada para falar com as outras de sua ordem.

Teresa correu por entre as estantes, a freira a havia dito que muitos livros raros e proibidos, sobre os mais variados tópicos se encontravam no acervo daquele lugar secreto, - Muitas coisas esquecidas acabam aqui, minha filha, lhe contou uma velha irmã com cabelos grisalhos e cara de tartaruga, Typho seguia a pequena, voando atrás dela o mais rápido que podia, Sophie havia comentado a não muito tempo que a criaturinha havia começado a agir como uma segunda babá de Teresa, a primeira sendo Jack. Livros, livros e livros, Teresa não sabia escolher por onde começar, até que parou sua corrida para investigar algo que havia percebido, todos os espaços das estantes anteriores haviam sido preenchidas, não deixando espaço para nada entre um livro e outro, mas na última estante, a mais afastada, existia um livro que estava na diagonal, ocupando o espaço de dois, não era um livro muito grande, mas chamou a atenção da garota pela capa vermelha com ilustrações douradas, ela o pegou, tossindo com o pó, e o limpou, para ver seu nome, ''A inter-relação de famílias dinásticas com monstros pela história'', o que a Dullahan mais estranhou foi que o livro não era tão antigo assim, ou pelo menos essa edição não era, havia sido publicada a apenas vinte anos atrás... Ao olhar para cima, pensativamente, ela percebeu que todos os livros na prateleira de cima eram exemplares da mesma obra, e por isso, sentou-se com ela em uma cadeira próxima a um archote para lê-la.

- Isso é horrível! Declarou irmã Milton, tapando seu rosto, escondendo os olhos azuis e o cabelo ruivo que espreitava por de baixo de seu hábito, Alma, sem Teresa e Typho, a olhou, e ela então tentou fingir indiferença, limpando uma mesa no canto, mas o grupo já se aproximava, - Eliza... posso te chamar de Liza? Renée perguntou, a irmã estremeceu, suando enquanto forçava um sorriso, - C-claro...! respondeu ela, - Aconteceu alguma coisa que nós deveríamos estar sabendo? A Caçadora perguntou, Milton olhou para as colegas freiras, que saíam agora de seu lado, a deixando sozinha para responder, - É que... Bem... Eu não deveria estar contando para vocês... Acho que vão fazer alguma estupidez... Admitiu ela, - Por favor, estamos aqui para ajudar, não é pessoal? Sophie perguntou para os amigos, que concordaram, - Os soldados do Rei... Eles cercaram um bando de monstros que tentavam escapar, montaram um cerco na rua Fleet... Disse ela, com os olhos marejando, - Isso é horrível... Jack murmurou, - Vamos, temos que ajudar, constatou Robin, correndo para as escadas, a irmã Milton precisou se conformar com aquilo, e por isso, apenas sentou-se na mesa que estava limpando e começou a rezar, Teresa correu para o grupo, com o livro em mãos, - Pessoal, pessoal, me esperem! Gritou ela, Jack a segurou pelos ombros e se abaixou para ficarem no mesmo nível, - Agora não, Teresa, preciso que fique aqui, segura, tudo bem? Ele a encarou nos olhos, - Mas-! Não é justo, eu quero ajudar! Ela berrou, furiosa, - Sinto... mas não pode, ele afirmou, - Eu também sou parte da Alma, fui EU quem decidi o nome! Ela gritou, - Typho! Mantenha minha irmã aqui! Anunciou Jack, saindo com os outros, uma velha freira impediu a passagem da pequena Dullahan, e ela soube que precisaria fazer alguma coisa... mesmo que sozinha.

Não estavam assim tão longe da rua Fleet, o sol do meio da tarde brilhava forte, passaram por um bar, um dos muitos que deixavam a rua famosa, e então o avistaram, após uma banca de jornais, no meio da rua, seis crianças de variadas especies (dentre elas um Tritão, e um Lobisomem), mantinham-se juntos, enquanto homens a cavalos os cercavam, segurando espadas, assim que entraram na rua, mais próximos à comoção, cavaleiros da guarda real apareceram, carregando pesados sacos, e fecharam a entrada pela qual o grupo tinha saído, - E agora? Syon perguntou, enquanto viam o Capitão de antes sair de trás de uma cafeteria, - Doce dama, e eu que achei que era uma rosa... mas posso ter estado correto, pois toda rosa tem espinhos... disse ele, com amargura na vz, ao fitar Renée junta ao grupo, - Eu seguro ele... Corram! Disse ela, os quatro se separaram, deixando a Caçadora, que puxava sua própria espada, contra o capitão, Robin e Sophie correram para ajudar as crianças, mas alguns disparos de mosquetes as surpreenderam, fazendo-as se esconderem atrás de um restaurante, guardas montados e armados aguardavam de ambos os lados da rua, enquanto Jack e Syon lutavam para remover os pesados sacos que barravam as saídas, como se livrariam de tal armadilha?
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Capítulo 27: A Criança na Corte

Mensagem  Jack Jerripher em Qui Jul 25, 2013 9:16 pm


A pequena Dullahan entendeu que havia sobrado para ela, algo precisava ser feito, e ela parecia ser a única que havia entendido, mas haveriam complicações, as freiras não a deixavam em paz, levando-a de livro de desenhos a livro de desenhos, parecendo não compreendê-la quando lhes dizia que precisava fazer algo importante, por fim, uma voz em seu íntimo lhe disse o que fazer, Teresa já havia ouvido uma voz dentro de si, ela não sabia explicar o que esta voz significava, ou até de quem era, pois definitivamente não era a dela, mas nunca pensara tanto no assunto, sua companhia era muitas vezes benigna,  - Eu... Preciso ir ao toalete, disse ela, ficando embaraçada, a irmã que estava cuidando dela naquele momento, Amélia, também pareceu um pouco envergonhada, - P-por aqui, criança, ela lhe conduziu até a porta de um pequeno aposento com a latrina, Teresa se trancou lá dentro, e percebeu, para sua alegria, que um buraco existia na parede, ela se enfiou por ele, chegando à escuridão, mas ela conhecia aquela escuridão, e seu cheiro, era a entrada, ela encontrou a escada e a subiu, porém, reparou em um brilho atrás de si mesma, ela estendeu a mão, o agarrando antes que fugisse e a delatasse, - Por favor, Typho, eu preciso... Eu vou ajudar a todos, você vai ver, a criatura piscou seu único olho, como se duvidasse por um segundo, mas depois bateu as asas, o que Teresa entendeu como uma aceitação, portanto, o meteu em seu bolso, em despeito de seus protestos, e saíram dali.

Aço cantou contra aço, o trabalho dos pés de ambos era muito fluente, e pareciam estar em um embate constante, mordendo contra o outro, embora suas presas se igualassem em velocidade, Renée defendia os golpes do Capitão Bloodworth, e ele os dela, - Você é boa com uma espada... Para uma criatura, mencionou ele, - Humana, rebateu ela, - Uma simpatizante, notou ele, ela não confirmou e nem negou, - Monstros praticam com armas também, sabia? Ela o indagou, por fim, - Por quê? Garras e Dentes não são o bastante? Ele questionou, - Eles as usam para lutar e não serem reconhecidos, pois muitas pessoas que não os conhecem podem ser intolerantes, sabe? Ela denotou, a vez de ficar quieto foi a dele. Jack ajudava Syon a retirar as sacas das barragens, mas alguns membros da guarda real os cercaram, - Fique atrás de mim! Anunciou Jack, Syon assentiu, mas depois sussurrou, - Eu sei me proteger também... E o provou, derrubando um dos oponentes com seu bastão, Jack estalou seus dedos, tendo uma ideia, um dos mosquetes dos guardas apareceu em sua  mão, e entendendo a ameaça, o círculo se expandiu, dando passos para trás, mas só então perceberam que ele era só um, e atiraram, por sorte, Jack conseguira invocar um escudo grande de metal, e Syon abaixou-se, ambos sendo protegidos por ele, mandando um anel de Magia de Vento por cima do escudo, Syon conseguira empurrar os guardas oara longe, - Lembre-se, são apenas humanos fazendo seu trabalho, não podemos machucá-los muito! Syon explicou, e Jack concordou com um aceno... Até verem Sophie e Robin chutarem seus oponentes para longe para chegarem até as crianças...

- Corre... Quer dizer... Voa! Teresa gritava histericamente, ela devia admitir, não havia considerado o fato de que o Castelo de Windsor seria tão afastado de Londres, era nesse momento, acima de todos, que ela desejava ter os poderes do irmão, mas ela nem ao menos havia passado do básico para os Dullahans, invocar armas, mas de uma coisa ela sabia, devolveria o cavalo em pessoa à aquele morador, já estava se sentindo culpada, mas a voz dentro de si a dizia que era para o bem geral, por fim, após alguns minutos de cavalgada para o sudoeste, viu a construção, e para sua alegria, a guarda do local estava de fato muito limitada, pois, em sua maioria, estavam agora na rua Fleet, no cerco, o cerco no qual seus amigos estavam agora lutando... Ela pensou, uma última vez, antes de pular da sela para o muro, e depois para o chão, estava no jardim real, ela, por um momento, foi distraída pela imensa beleza do local, flores brancas cresciam em arbustos, um pequeno lago com patos e o entardecer refletido em sua superfície... Mas foi aí que ela percebeu, ''Entardecer! Estou atrasada e perdendo tempo!'' Se ajeitando, ela correu reto até onde via a muralha do castelo, até que, saída de um arbusto ao lado dela, algo a atingiu na cara, e tudo o que a garota viu foi o azul, e então um belo par de sandálias do mesmo anil, - Anna! Cuidado! Uma segunda sombra saiu das folhagens, esta demorou um pouco para recuperar seu fôlego, era mais alta do que a primeira, ao ver os olhos das garotas, o coração de Teresa acelerou, ''Parecem os do Jack!'', pensou ela, mas não teve tempo de refletir, levantou-se e começou a correr, porém a mais velha das duas a segurou pela gola, - QUEM É E O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI!? Gritou ela, - Pssiu! Mana, se nos ouvirem, seremos pegas! A menor sussurrou, antes de voltar a olhar para a outra pequena, - Eu... preciso muito falar com o Rei... Ela disse, em um tom de voz fraco, percebendo que seu argumento não era muito forte, - Pode tentar, mas duvido que escute, disse a menor, de cabelos negros, - Qualquer que seja o assunto, e tenho certeza que deve ser importante, o senhor meu pai está muito ocupado, disse a mais velha, com calma, mas Teresa começara a chorar, e se curvou para ambas, - Por favor, é urgente! Ela anunciou, - Eu preciso salvar todos! Gritou a pequena, deixando ambas perplexas,  percebendo que precisaria de um tipo mais bruto de demonstração, ela se transformou por um segundo, e depois voltou, - Uau! Exclamou a Princesa Anna, Princesa Maria ficou apenas de boca aberta, ambas se olharam, antes de arrastarem a pequena pela mão.

- Para onde estão me levando? Ela perguntou, - Para ver o Rei, respondeu Maria, - Vocês... Não acham que eu sou ruim...? Ela voltou a perguntar, - É só uma criança, a mais velha voltou a dizer, enquanto Anna sorria para ela, - Se vocês são as Princesas, meu assunto também é com vocês... Disse a garota, - Podemos ouvir junto do Rei, Anna constatou, e Teresa sorriu de volta. - Queridas filhas, a que devo essa visita, quando lhes mandei ficar em seu quarto? o Rei perguntou, e então a pequena garota de cabelos dourados entrou na sala do trono, sua roupa estava amassada e ela havia se cortado na bochecha e esfolado os joelhos chegando ali, - Quem é esta pequena...? Começou ele, antes de se deter nos olhos de Teresa por um segundo, ela se curvou, e voltou a se erguer, - Se-senhor, eu peço que por favor, pare de perseguir meu povo! Ela disse, corajosamente, - Seu povo? Eu não enten... Os olhos do monarca se arregalaram, - Filhas! Trazem uma criatura para a minha corte! Ele vociferou, - Pai, ela é só uma criança, e parece terrivelmente consternada! Declarou Maria, - Sem dúvida ela mexeu com suas mentes! Jaime II, afirmou, mas então a garota se transformou novamente, desta vez ficando em sua forma original, sua pequena armadura branca e chama azul onde sua cabeça deveria estar, - Vossa Graça sabe que nós Dullahans não temos essa habilidade, disse ela, o Rei engoliu em seco, - Espera um momento... Você sabia da existência dos monstros? Anna perguntou, - Sabia, admitiu o Rei, - Pois a mãe de vocês era uma, disse Teresa, voltando a forma humana, - Ou melhor dizendo... Nossa mãe...

A revelação chocou à todos os presentes, Teresa jogou o livro que segurava aos pés do Rei, e ele e as filhas viram, a iluminura de Anne, e um traço conectando ela com Jaime, e mais dois traços conectando-os com as filhas, enquanto um terceiro traço conectava Anne com uma sombra, - Eu lembro muito bem do dia em que minha mãe fugiu, foi a anos atrás, eu tinha apenas 6 anos, e só voltei a vê-la quando tinha 15, declarou ela, - Espera, quantos anos, você tem? Anna perguntou, - 23, mas nós monstros envelhecemos devagar, sorriu ela para as meias-irmãs, - Pai, explique isso! Demandou Maria, profundamente confusa, - Eu a conheci no mercado de Londres... Eu estava com minha comitiva, ainda príncipe, e ela era tão linda... E tão confusa por coisas simples, só anos depois ela me contou tudo... Disse o Rei, com pesar na voz, - Ela fugiu de nosso pai, iria ter-nos levado junto, meu irmão e eu, mas não conseguiu, pai a encontrou apenas anos depois... Explicou Teresa, - Ela está viva? Perguntou Anna, e Maria cobria a boca em choque, lembrava de ter ouvido dizer que a mãe padecera de uma doença rápida, e estranhou que o caixão estivesse fechado no velório... - Na verdade, não sei se ela está viva... Meu irmão e eu fugimos de nossa dimensão no começo do ano, ela não apareceu, temo que pai tenha descoberto... Ela disse, - Você é mesmo filha dele, sei por seus olhos, mas não posso fazer nada, disse Jaime, parecendo desconfortável, - Pai... Por que persegue os monstros quando nossa mãe era uma? Perguntou Maria, - Não só isso... Começou Teresa, antes de andar até as princesas, e tocá-las, a pele de ambas foi coberta por uma armadura, que rapidamente sumiu, - Eu... Sinto... Constatou Maria, enquanto Anna parecia maravilhada, - Pai... Por que? Pediu a mais velha, novamente, - Eu... Eu não consegui! Prometi à Anne que unificaria monstros e humanos, antes de partir, mas Baal Stolas me ignorou, uma vez atrás da outra, prometi a mim mesmo que esqueceria dos monstros, e esconderia a verdade de vocês, garotas... Mas vê-los novamente apenas me lembrou de minha dor... Eu... Nada mais posso fazer para remediar o que fiz... Disse ele, Teresa reuniu sua coragem novamente, e andou até o Rei... - Minha mãe nunca foi a mesma desde que voltou, disso me lembro, e ela quis nos tirar de lá de novo... Sei que ela não ama meu pai... Ninguém poderia, tenho certeza que ela ainda lhe ama... Disse Teresa, ao mesmo tempo otimista e desgostosa ao se lembrar do pai, e de que não sabia como sua mãe estava, - Pode retirar o decreto! Gritou Anna, ele fitou os olhos da filha mais velha, Maria. e sua sucessora, eles lhe lembraram Anne, e como ela era decidida, - Chamem Meistre Turnblad! Declarou ele, Anna correu, - Sua coragem me comoveu... Criança, chame seu irmão, gostaria de conhecê-lo, disse Jaime II, sorrindo, apesar de suas lágrimas.

- O que vamos fazer? Perguntou Sophie, enquanto ela, e seus amigos formavam uma roda com as crianças no centro, - Eu sei o que não vamos fazer... Desistir! Anunciou Robin, com suas armas, o grupo bloqueava os cavaleiros que agora chegavam cada vez mais perto, mas estavam todos cansados, já era de noite, e a luta havia durado o dia inteiro, a maioria possuía feridas no rosto e roupas rasgadas, Renée e o capitão continuavam a trocar golpes, até que ouviram o relinchar de um belo castrado branco, - É o cavalo do Rei! Um deles notou, - Princesa Maria! Gritou Gerald Bloodworth, - Teresa! Gritou Jack, a Princesa correu para o capitão, o esquadrão parou seu ataque, erguendo as armas, e se afastando um pouco do cerco que Alma formava, Maria deu um papel ao capitão, e ele comandou todos a pararem, deu uma última olhada em direção a Renée, e se retirou com suas tropas, Maria e Teresa deram as mãos e caminharam até os outros, que confortavam as seis crianças, - Hm... Obrigado por trazer minha irmã... Suponho, disse Jack, encarando a Princesa... corando enquanto abraçava Teresa, Robin deu um cascudo na menina, - Garota, você me surpreende, disse ela, sorrindo, o resto do grupo também estava profundamente aliviado pela situação ter acabado, - Bem... Trazer as suas, irmãs, na verdade... Disse Teresa, todos fizeram caras de confusão, - Não... Não vê a semelhança? Disse a Princesa, olhando Jack nos olhos, - AH! Exclamou ele, quase caindo para trás, - Sua... Nossa mãe me teve, e a minha irmã quando fugiu de seu pai pela primeira vez, a Teresa me contou... Disse ela, coçando sua nuca, os rostos de todos ficaram igualmente brancos como os de Jack, - Bem... Isso é constrangedor... Ele disse, mas ao ver que suas palavras pareciam ter machucado Maria, ele voltou atrás, para se desculpar, - De qualquer maneira... hm... É bom te conhecer, deve ter muito o que perguntar... Ele disse, Maria sorriu, e então anunciou, - Meu pai declarou que monstros podem viver igual a humanos de agora em diante, retirou seu decreto, e cobriremos a história como uma brincadeira de alguns adolescentes, ela disse, antes de voltar ao cavalo do Rei, - Teresa... Jack... Gostaria de convidá-los ao Palácio de Windsor, para que possamos esclarecer tudo isso... Ela disse, sorrindo para os irmãos, que se olharam, antes de olhar para o resto da turma, - Podem vir junto, se quiserem, a Princesa disse, e então todos aceitaram, muitíssimo interessados naquela história toda.
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Capítulo 28: A Dama na Névoa

Mensagem  Jack Jerripher em Seg Jul 29, 2013 4:14 pm


- Então! Vamos ver se todos entenderam... Renée começou a falar, ela sentava-se calmamente em uma cadeira ricamente decorada e trabalhada em ouro, à sua frente na mesa estava Robin, e em seus lados, Sophie e Syon, - Jack e Teresa são filhos de um Demônio antigo de outra dimensão... Robin começou, parecendo não acreditar nas próprias palavras que lhe escapavam a boca, - A mãe deles, porém, era uma Dullhan, que não amava o pai deles, e escapou uma vez, embora não tenha conseguido levar os filhos junto... Continuou Syon, - E nesse tempo fora, conheceu e se apaixonou por um Príncipe, e depois Rei, e teve duas filhas com ele... Sophie aumentou, esfregando as têmporas, - E elas são meio-irmãs do Jack e da Teresa, completou Renée, terminando seu copo de vinho, - Eu vou precisar de mais álcool se essa história aumentar... Reclamou ela, deixando a taça sobre a mesa, olhando para fora, puderam ver os irmãos que acabavam de se conhecer, passando tempo juntos, - Pode ser aqui mesmo, disse Jack ao mordomo, que o ajudava a carregar para o quintal dos fundos alguns troncos de árvores, ele deixou um a sua frente, e um à frente de cada uma das irmãs, antes de se juntar a elas, os quatro amigos podiam vê-los pela janela entreaberta, embora ele não parecesse ter reparado neles.

- O poder mais básico de nós monstros é utilizar um glamour para fingirmos ser humanos, mas como ambas são híbridas e não monstros completos, isso deve ser ainda mais fácil para vocês, mas é necessário para nos esconder do mundo, apenas se concentrem nas formas nas quais querem se transformar, humana ou monstruosa, e elas aparecerão, explicou Teresa, - Como eu gostaria que a Anna fosse inteligente assim! Brincou Maria, a irmã a fitou com raiva, - Já nós, Dullahans... Temos os poderes baseados em controle de armas, mas suponho que precisaremos ir mais básico ainda, disse Jack, transformando-se, as três irmãs fizeram o mesmo, - Eu ainda não acredito na minha forma de monstro! Exclamou Maria, fitando sua armadura turquesa, enquanto passava a mão sobre a chama rósea que estava no lugar de sua cabeça, - Eu achei o máximo! Afirmou Anna, sacudindo a chama vermelha, e fazendo seu fogo brilhar na armadura prateada, - Como somos elementais do fogo por natureza, vamos praticar com ele, explicou Jack, estalou os dedos, e uma chama verde-clara apareceu em seu tronco e o consumiu em segundos, prosseguiu apontando Teresa com a cabeça, ela se prontificou, e estendeu a mão direita aberta para o tronco à sua frente, e algumas labaredas saltaram de sua tocha azul, envolvendo a madeira em chamas, as Princesas aplaudiram, ressoando sons metálicos pelo ambiente, - Agora é a vez de vocês! Sinalizou a mais nova, Anna pulou o turno de sua irmã mais velha, e focou-se em seu tronco, com a palma aberta, sua flama ululou um pouco, mas não demorou muito para que o tronco começasse a ser salpicado de fogo, o queimando, embora apenas superficialmente, Jack a incentivou, a explicando que o fogo viria mais fácil e seria mais forte com o treino, Maria engoliu em seco (Ou o teria feito se tivesse cabeça) e começou sua vez, apontando como Anna anteriormente fizera, sua chama ululou fortemente, mas não importava o quão focada ela parecesse, o fogo não vinha, - Fraca, balbuciou sua irmã, - Quieta! Maria exclamou, e quando se virou, uma imensa bola de chamas voou de sua mão, destruindo seu tronco rapidamente, surpreendendo a todos, inclusive a ela, - Ah... Eu me descontrolei... Disse ela, revertendo à forma humana, - Tenha cuidado com o fogo... Ele ilumina e aquece, mas devorará tudo sem piedade se você não for cuidadosa, lhe disse Jack.

Outro banquete se seguira naquela noite, nada além de boa comida eles haviam tido desde que chegaram para a  ''curta visita'' no Castelo de Windsor, Jack e Teresa haviam sido oferecidos assentos próximos aos do Rei e das Princesas, e Teresa alegremente se juntara a eles, usando um dos vestidos de Anna, que era um pouco mais alta, embora não muito, Jack também o fizera, mas voltara a sentar perto dos amigos nos últimos dias, recusara-se polidamente a medir-se para um terno, e vestia apenas as roupas simples como sempre, mas não trocara uma palavra com nenhum deles, as refeições eram quietas na mesa do Castelo, após terminarem, Teresa subiu com as irmãs, mas Jack saiu do aposento, os quatro estavam prestes a se retirar para seus quartos, quando Robin anunciou que precisava de um pouco de ar, verdade seja dita, fora bom no começo, os três primeiros dias, mas tanto Renée quanto Sophie haviam pedido a Jack que voltassem, e em ambas as vezes, sua resposta tinha sido a mesma, dizia que iria falar com o Rei, e olhava de relance a irmã, correndo alegremente com as novas irmãs no vasto verde à frente do Castelo, ninguém mencionava nada sobre sair a uns quatro dias, quando Syon sugeriu que a sede estaria coberta de pó, sendo repreendido por uma das empregadas pelo comentário, os três, simplesmente cansados, concordaram com a cabeça.

O gentil mordomo, Payne, abriu a porta dos fundos para ela, e Robin passou, o cumprimentando, o que ela viu, porém, a deixou chocada, Jack estava sentado em um dos banquinhos de pedra no meio do jardim, e embora ela estivesse longe, pudia ver dois traços claros no rosto do amigo, brilhando por causa da lua, que estava esplendidamente cheia naquela noite, ''Lágrimas...'' Percebeu ela, e ficou um momento sem saber o que fazer, antes de decidir ir se juntar a ele, ouvindo seus passos, ele rapidamente secou o rosto com as costas da mão, - Noite, disse ela, sem muita emoção na voz, ele respondeu a mesma palavra e com o mesmo tom, - Quer compartilhar o que está te incomodando? Perguntou ela, sentando à frente dele, - Então você viu... Ele percebeu, sem rodeios, - Lua, ela apontou, ele apenas bufou com irritação no rosto, - Isto é sobre a Teresa? Ela voltou a perguntar, - É tudo, honestamente, essas revelações tão súbitas, e minha irmã parece tão feliz com... Minhas outras irmãs, sabe? ele denotou, Robin percebeu onde ele queria chegar, - Acha que seria melhor deixá-la aqui, ela começou, Jack a encarou pela primeira vez durante a conversa, embora não precisasse responder, Ela se virou, olhando para a lua, - Está errado, você controla muito a garota, Jack, ela pode se virar, e gosta de lutar, não vai agradar a ninguém com essa ideia... Explicou a garota, antes de se virar para ele novamente, - Não é só com a Teresa, outra está em sua mente, ela disse, com um tom vacilante, ele respirou fundo, antes de começar.

Uma batida veio até a porta de Sophie, - Você está vestida? A voz de Syon chamou, a jovem levantou os olhos do livro que estava lendo e mandou ele entrar, reparou que ele corou ao vê-la na cama, mas logo se achou confortável em uma cadeira, - Espero não estar interrompendo muito sua leitura, ele expressou, - Não espere... É um livro chato, ela admitiu, o jogando para os pés da cama, - É bom conversar de vez em quando, ela admitiu, sendo sua vez de corar levemente, ela se virou, e ergueu a blusa, o garoto se aproximou, afastando as penas cor creme nas asas, tocou na espádua levemente inchada de Sophie, - Está melhorando, ele disse, mas ainda vai precisar de algumas sessões, admitiu, antes de começar o tratamento, ''Macias'', pensou ele, gerando seu cristal de cura sobre a área, ''Macias'', ela pensou, cobrindo-se com um travesseiro. Quando ele terminou, se afastou da pele da amiga como o diabo foge da cruz, e se virou de costas, precisamente quando ela também se virou, - Não tente aquilo novamente, sei que não parecia muito no início, mas acho que ainda não pode voar, Syon afirmou, com a voz calma, porém sentida, - Não o farei, mas sei que se precisar, tenho com quem contar para me ajudar, Sophie sorriu, mas ele não viu pois ela já tinha voltado a ler quando ele se virou, antes de desejar boa-boite e sair do quarto.

- Mãe... ele murmurou, - Fiquei pensando na primeira vez que tentamos escapar, eu estava com Teresa no colo, ela tinha seis anos, portanto era mesmo como um bebê de colo ainda, mas o pai nos viu, entrou na sala naquele instante, e segurou minha mão, minha mãe desapareceu ao tocar na esfera de Triphetir, mas como ele me segurou, eu e Teresa não escapamos... Ela não voltou até anos depois, embora não tivessem parecido tanto tempo, a partir dali nós não podíamos mais sair da dimensão, mas da próxima vez, foi ela que ficou... Presa com aquele homem... Ele confessou, acariciava seu braço esquerdo ao falar, e a garota percebeu, para seu horror, que marcas de chicote estavam gravadas na pele do amigo, a própria Robin estava a beira de lágrimas, já tinha ouvido a história basicamente, mas nunca do ponto de vista de Jack, e principalmente isso a chocava, o Jack que ela conhecia era sempre certo, sempre focado, e forte, acima de tudo forte, mas ali... Parecia tão vulnerável... Ela se levantou e sentou-se ao lado dele, segurando uma de suas mãos, - Eu não conheci minha mãe, mas tenho certeza de que a sua não ressente o fato de terem escapado, ela sabe que isso é bom para vocês, e duvido que ligue para as consequências para ela, enquanto seus filhos estejam a salvo, ela disse, antes de beijá-lo na testa, - Você tem cuidado muito bem de Teresa, como tenho certeza de que sempre fez, e além disso... Tem sido um ótimo pai para a equipe toda, ela afirmou, Jack a fitou nos olhos, e sorriu, - Obrigado, ele disse, confortado por suas palavras, ''Renée estava certa, ele devia fazer isso com mais frequência'' Pensou Robin.      

A noite tinha chegado à Londres, marcavam agora duas semanas que toda a confusão com as tais ''criaturas'' havia se passado, ''Essa é uma que eu não vou deixar ninguém esquecer!'' Pensou a jovem Evangeline, que se dirigia para uma festa na casa de um parente, ela estava com um pouco de medo de andar nas ruas à noite, mas recusara amargamente ser escoltada por seu pretendente, Gerard, ''Muito antes assaltada do que cair na boca do povo que estou caindo por aquele desastrado!'' Ela pensou, furiosa com o admirador, e consigo mesma ao mesmo tempo, seus saltos, comprados a custo de refeições puladas, claqueavam no piso da cidade-centro, clac...clac...clac... Eles faziam, ao virar uma esquina, a boca da jovem, de antiga família rica e agora decadente abriu-se, como que para engolir mosca, uma densa névoa cobria a rua e ofuscava tudo à sua frente, ''Que bom que a casa de titia fica no final dessa rua, não terei que passar muito tempo sem ver nada...'' Ela pensou, e errou, clac...clac...clac... Seus saltos faziam na pedra. Por mais clacs que andasse, ela não parecia encontrar os estabelecimentos que conhecia naquela rua, chegou até a se perguntar se não teria virado a esquina errada, porém, podia avistar duas luzes brilhantes à sua frente, supostamente no fim da névoa, ''Devem ser da casa de titia!'' Pensou ela, e se moveu em direção à elas, clac...clac...clac...cranck... O súbito barulho a fez parar, e olhar para trás, não viu nada, porém se apressou mais ainda, ajeitando a pena bordô de seu chapéu da mesma cor, e levantando o vestido que completava seu ''ensemble'', Evangeline começara a correr, Clac...Clac...Clac...Cranck...Clac...CRANCK, ela estava ofegando, finalmente chegara à casa onde a festa iria ocorrer, a névoa estava mais fina agora, ela encostou as mãos na grade de ferro do jardim, e arriscou uma última olhada... Uma carruagem estava parada à sua frente, sem cavalo ou cocheiro, apenas uma carruagem, a porta lateral dela se abriu, a jovem continuou a encarando, não entendendo como ela teria parado ali, observou suas rodas, envelhecidas, percebendo a origem do som que a perseguira, mas antes que pudesse suspirar aliviada, um salto vermelho, infinitamente mais impecável do que o seus saiu pelos degraus da carruagem, seguido por uma mulher extremamente bela, olhos azuis como safiras e cabelos negros como o carvão, Evangeline suspirou aliviada e se aproximou da mulher, tentando puxar uma ''boa amizade'' com a estranha ricassa, mas antes que pudesse falar, as presas estavam em sua garganta, rasgando quentes e ligeiras. Os gritos de um homem chamaram todos os convidados para fora, e mais gritos se seguiram, o corpo de uma jovem jazia estendido à frente da entrada do jardim, o corpo dela era branco-pérola e seu vermelho quase invisível sobre seu bordô...
           
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Capítulo 29: O Grande Baile dos Vampiros

Mensagem  Jack Jerripher em Qui Ago 01, 2013 3:19 pm

Todos que estavam na sala do trono engoliram em seco, - Mais uma vítima... Agora são dez, falou o Rei, com pesar em sua voz, - ''A Dama na Névoa'', estão chamando, dizem ver uma densa névoa vinda de nada, e justo quando a presa pensa que pode escapar, tem sua garganta rasgada... Comentou a Princesa Maria, passando o jornal para Anna, - Isso soa mesmo como trabalho nosso, constatou Jack, e em seguida olhou para o Rei, - Sua Graça, peço que nos libere para lidar com esse assunto, o Rei consentiu, e assim que Alma se virou para sair, Anna correu para junto deles, - Me deixem ajudar, agora consigo controlar melhor meus poderes! Ela implorou, nenhum dos seis soube o que responder, até que uma voz diferente, mas conhecida, falou - Desculpe, princesa, mas acredito que esse trabalho seja muito perigoso para alguém com a sua habilidade, ao se virarem para a porta, viram o Vigia, entrando junto com o mordomo Payne, - E quem é este senhor? Princesa Maria perguntou, - Pode me chamar de Vigia, eu venho auxiliando os trabalhos de Alma, e em sua fundação, disse ele, fazendo uma reverência, - Agora se nos derem licença, acredito que eles tenham trabalho a fazer, e se retirou junto da equipe.

- Há quanto tem- Syon já começava a dizer, porém o Vigia os olhou com um rosto sério, - Se isso é sobre as últimas semanas, eu aceito a culpa, disse Jack, - De forma alguma, todos ficamos aqui, Renée interveio, - Não, temo que minhas notícias sejam ainda piores, a entrega pesada de suas palavras assustou a todos, - É sobre a ''Dama na Névoa''? Sophie perguntou, e o velho assentiu, - Porém, é mais complicado do que isso, disse ele, - E quando que nossos trabalhos são simples? Perguntou Robin, brincando, e Teresa concordou, o Vigia parou na frente dos portões do Palácio de Windsor, e começou a explicar, - Essa noite, haverá a maior congregação de monstros que Londres já viu, - Isso não parece tão ruim, se eles se conterem em si mesmos... Começou Jack, porém o Vigia continuou falando, - É esse o problema, é uma congregação de Vampiros, isso soa familiar? Ele questionou, - Os ataques dessa tal dama... Achei mesmo que eram ataques de Vampiro, afirmou Syon, com os outros concordando, - A primeira vítima condiz com o dia em que os nobres Vampiros começaram a se reunir na cidade, é uma reunião, ou melhor, um baile, que ocorre uma vez a cada milênio, e esse esta previsto a ser o maior já visto! Ele anunciou, preciso que entrem e descubram que é a ''Dama na Névoa'', ela precisa ser punida por caçar humanos desse jeito, - E como eles irão sobreviver sem caçar humanos, isso não é parte da alma deles? Teresa questionou, a pergunta subiu à todos como um calafrio, não era normal que a garota tivesse uma visão tão fria como essa, ela certamente não pensava assim há alguns meses atrás, com o incidente do Bakenenko, - Teresa, isso não tem a ver com sobrevivência, eles podem precisar se alimentar de sangue uma vez por mês, mas mesmo assim, deveriam fazê-lo na calada da noite, e uma mordida não é o bastante para matar um humano, não deveria chegar nem perto, já essa tal Dama... Tem matado um por dia, explicou Syon, ganhando um agradecimento de Jack, a pequena não pareceu totalmente satisfeita com a resposta, mas calou-se, - Estão prontos para essa nova missão? O Vigia perguntou, Alma estava de volta.

Mais tarde, horas antes do baile, o grupo estava já reunido no edifício no qual ele ocorreria. Haviam perguntado como entrariam no baile, já que nenhum deles era um Vampiro, - Simples, Vampiros são criaturas orgulhosas, um não serve ao outro, eles apenas contratam outras espécies para servi-los, e eu já os arranjei lugares como serventes, ele anunciou, - Então não importava se nós respondêssemos que não estávamos prontos? Robin indagou, e, percebendo a falha em sua lógica, o velho apenas se virou e foi embora, - Como estou? Perguntou Syon, Jack se aproximou e ajeitou a gravata do amigo, - Ah, obrigado, tinha me esquecido, ele disse, - Por que está tão nervoso? Perguntou o Dullahan, - Então você percebeu, é? Ele perguntou, e o amigo assentiu, - Eu... Eu quero criar a coragem de pedir Sophie em namoro... Ele confessou, mesmo que parecesse querer engolir as palavras de volta, Jack então sentou-se ao lado dele, - Faz já um tempo desde que falamos sobre isso, eu não respondi na época, pois achei que seria muito cedo, mas agora que nós estamos mais unidos, eu te prometo ajudar com o que puder, ele constatou, - S-sério? Syon gaguejou, - Bom, eu não posso te ajudar se você não se ajudar, tome a iniciativa, se o quiser fazer, eu abro o caminho, o Dullhan sorriu, enquanto pegava sua bandeja e se dirigia para a porta, - Imagino que tenha experiência na área? Syon indagou, Jack virou-se e riu para o amigo, - Nenhuma, admitiu, antes de deixá-lo paralisado e assustado.

Ao subirem, encontraram as garotas já vestidas, e esperando, - Geralmente é ao contrário, Renée riu-se, Jack e Syon a encararam de cima a baixo, eles não a haviam visto de vestido comprido antes, mas ela parecia tão desconfortável quanto haviam imaginado, - Esse vestido é um saco, tem tantos babados, e roça no chão... A caçadora se justificou, antes de ir servir um dos organizadores do baile, - Se é assim que os servos se vestem, nem imagino como serão os ricos... Ponderou Robin, - Ahn... Sophie, será que eu pudia falar com você à sós? Syon pediu, Jack ficou surpreso com o quão direto o amigo havia sido, mas resolveu que ele talvez pudesse cuidar sozinho da situação, os dois se separaram do grupo, - Abre a boca, Jack, o que ele quer? Robin perguntou, - Eu... ahn, como eu vou... Ele começou, coçando sua nuca, tentando esconder o que sabia, - Ah, irmão, você pode contra para a gente! Teresa implorou, Jack bufou, antes de responder, - Syon quer pedir Sophie em namoro... Ele contou, Robin e Sophie se olharam, felizes em saber, - Eles fariam um belo casal! Teresa declarou, sorrindo, ''Que bom que ela parece ter aceito sair do Castelo assim...'', Pensou Jack. Os sinos tocaram meia-noite, e com eles os convidados começaram a entrar.

- O seu machucado... Syon começou, e Sophie respondeu antes que a pergunta viesse, - Está como novo, eu acho que já posso voar novamente, e, é claro, preciso lhe agradecer por isso, aqui, disse ela, lhe entregando uma taça de champanhe, - Tome, não podem nos ver por causa da tapeçaria, ela explicou, Syon o bebeu, - Está muito bom, ele entregou a taça para Sophie, - Veja, disse, e a garota também provou, - Está delicioso mesmo... Ela comentou, - Era só isso que queria me dizer? Ela perguntou, - Bem... tinha outra coisa... Eu... Ele tentou admitir o que sentia, mas antes que pudesse, a tapeçaria vermelha atrás da qual ambos estavam conversando foi puxada, revelando Renée do outro lado, - Será que os dois não vão ajudar? Ela perguntou, - Claro! Sophie denotou, antes de sair dali, deixando Syon sozinho, e decepcionado, - Com licença, garoto da tapeçaria! Ele virou-se, para encarar uma mulher muito bela, exatamente como ele havia imaginado uma Vampira, complexão pálida, cabelos escuros e olhos de gelo, ela vestia um vestido negro, com brasões de borboletas vermelhas, e seu cabelo estava preso em um coque alto por clipes em formato de gotas de sangue, ela lhe sorriu e estendeu uma taça, Syon se apressou para enchê-la com o champanhe que havia acabado de tomar, - Me perdoe por minha demora, madame, ele se desculpou, - Oh, imagine, é sempre assim no começo da festa, ela afirmou, Syon sorriu, e ela se aproximou, removendo seus óculos, - Não, por favor, eu sou um Medusa! Ele interveio, puxando-os da mão dela, - Não tem problema, meu colar tem muitas propriedades mágicas, e me defender de virar pedra é uma delas, agora deixe-me ver seus olhos, Syon os abriu relutantemente, - Bonitos, castanho-claros, você sofreu muito, não sofreu? Perguntou ela, segurando as bochechas do jovem, - Me diga seu nome, garoto, ela pediu, - Me chamo Syon... Só Syon, - É um nome bonito, Alexandra Fiamma, ela se apresentou, antes de sair, deixando Syon extremamente curioso.

- Alguma ideia de quem essa dama é? Jack perguntou para Robin e Sophie, quando os três passaram um pelo outro, - Não sei, mas acho que deve ser uma Vampira, Robin especificou, - Não necessariamente, pode ser um Vampiro disfarçado, Sophie explicou, - Você lê romances demais... Comentou a Dainslef. - Você, garotinha, venha aqui! Pediu uma Vampira, Teresa lutou com o peso da bandeja de petiscos que segurava, mas conseguiu trazê-los à moça que lhe chamava, estava sentada em um sofá de camurça, ao lado de seu marido, ambos tinham pele de alabastro, a mulher tinha cabelos dourados e o pai prateados, ambos possuíam olhos de um azul-claro, comum aos Vampiros, a mulher pegou dois croquetes, de sangue de porco temperado, colocando um na boca do marido, antes de se virar para Teresa novamente, - Olhe Louis, como ela é uma boneca! Espero que nossa pequena pareça com você quando crescer! A Vampira riu-se, - É muito gentil, madame, Teresa sorriu, o marido continuou apenas olhando para a garota, - Carmela, querida, venha conhecer uma amiga! Chamou a mulher, de trás de uma mesa próxima, veio uma pequena menina, parecia ter uns quatro anos em idade humana, mas Teresa não saberia dizer quantos anos ela teria na verdade, por bem dizer, a garota parecia com ela, também tinha cabelos loiro-prateados e olhos azuis-claros, mas suas feições eram em formato de coração, - Sua filha é adorável, madame, disse Teresa, antes de se despedir, fazendo uma reverência, - Que menina educada! A mãe a cumprimentou novamente, seu marido suspirou algo em seu ouvido, e ela voltou a encarar Teresa novamente, desta vez com pânico em suas expressões.

- Jack, volte aqui, Jack, não é este seu nome? Perguntou-lhe Elizabeth, a organizadora principal, do evento, o Dullahan correu para atendê-la, encheu sua taça até o topo com vinho tinto, - Perdoe a indelicadeza, mas é sensato beber tanto vinho assim, já é a quinta vez que me chama em meia-hora... A Vampira lhe ergueu sua sobrancelha, - Sensato? Se eu quisesse ser sensata, não estaria bebendo tanto, ou melhor! Não teria nem planejado essa confusão! Ela disse, antes de quase engolir a taça junto com a bebida, - Agora se vira para mim ver você melhor! Ela sorriu, antes de bater palmas, Jack saiu dali o mais rápido que pôde, Renée servia docinhos para casais que conversavam na ampla varanda, a maioria dos maridos a olhava de cima a baixo... E prontamente recebiam tabefes e pisões de suas esposas... Renée estava prestes a sair quando viu um multidão conhecida, voltou à varanda e se escondeu atrás de uma pilastra, ''Até eles foram convidados? São os piores Vampiros que existem, e os mais violentos!'' Pensou, ao recordar-se de caçar alguns membros da família Stakeworth no verão passado, e eles, sem dúvida, lembrariam de quem ela era... Havia matado o patriarca da família, e levado dois primos juntos, e os membros que estavam ali não pudiam serem piores, as filhas do patriarca morto, Marissa e Narissa, seu sobrinho estimado como filho, Pietro, e a nova líder da famosa casa, a Dama Vermelha, ela já havia percebido, mas estava em uma péssima posição, uma humana entre criaturas que bebiam seu sangue, e estava servindo docinhos para eles! E além disso, a família mais conhecida dos mortos-vivos queria seu couro... Ou melhor... Seu sangue!


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Hiatus

Mensagem  Jack Jerripher em Ter Ago 06, 2013 11:47 am

Devido a um infeliz acidente, Pendulum não terá novos capítulos essa semana, estimo que voltem a ser publicados no dia 15/08.

Primeiramente me desculpo por deixá-los esperando, e espero que continuem a ler, pois muitas surpresas aguardam a cada canto.
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Re: Pendulum [fic]

Mensagem  Luke Truesdale em Ter Ago 13, 2013 1:01 pm

Alguem sabe se aconteceu algo sério com o diretor? :c
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Re: Pendulum [fic]

Mensagem  Sophie Merryweather em Qua Ago 14, 2013 12:56 am

Olha Luke nem eu sei... mas enfim sinceramente espero que não seja nada sério afinal, esse aviso me deixou bem preocupada.
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Capítulo 30: Em Chamas

Mensagem  Jack Jerripher em Qui Ago 15, 2013 5:06 pm

Em primeiro lugar, preciso me desculpar pela demora entre a publicação anterior e esta, mas também preciso agradecer pela preocupação e pelo carinho expressos nas muitas mensagens que me foram enviadas, não ocorreu nada muito sério, não se incomodem. Sem mais delongas, voltemos ao Grande Baile.

- Então, alguém tem alguma ideia de quem seja? Perguntou Syon, quando o grupo se encontrou rapidamente, em meio a trazer e buscar copos, - Uma Vampira me chamou para conhecer a filha dela, mas fora disso, tudo está sendo normal, Teresa explicou, - Sim, a maioria das conversas é bem casual, notou Jack, encarando Elizabeth, vermelha de bebida, por cima do ombro, - Bom, eu duvido que essa ''Dama na Névoa'' vá comentar: ''Ei, sabe o que fiz ontem? Matei mais humanos pelo sangue! Hahaha!'' Robin comentou, sarcástica, ganhando faces de desaprovação, - Eu odeio essas missões de se infiltrar em festas de ricos... disse Sophie, - Se não fossem elas vocês não teriam me conhecido, disse Renée, que chegava agora, - Olham para aquele bando, ela apontou para o outro lado da sala, em um meio-camarote, com uma rara pintura do massacre da Graçadeusa, - Por que alguém pintaria um quadro sobre algo tão trágico? Jack perguntou, - Não, eu quis dizer as pessoas que estão vendo ele agora, aquela é a família Stakeworth! Murmurou a Caçadora, escondendo sua boca enquanto falava, ao ver que não a entenderam, ela suspirou e começou a explicar, - Eles são conhecidos como a família mais violenta de Vampiros, têm inúmeros problemas com as autoridades, mas estão mais quietos desde que... ahn... Um caçador pegou alguns deles, ela disse, - Quem quer que tenha sido, está perdido se eles o encontrarem... Syon reparou, enquanto observava a família, e via que a matriarca parecia ofender uma jovem donzela enquanto as duas gêmeas riam dela, e o rapaz alto apenas dormia estirado no sofá, ele se deslocou para ir até eles, - Esse garoto é maluco! Robin comentou.

- Madame gostaria de uma taça? Syon perguntou, educadamente, mas com o tom de voz determinado, esperando que sua tese estivesse correta, - Oho... riu-se a mulher, seu ridículo penteado, que mais parecia formar um traseiro em sua cabeça, balançando e fazendo pressão em sua face, e aceitou a bebida, as gêmeas, com as tranças loiras voando ao vento que vinha da varanda, não estariam mais confusas se um dragão rosa tivesse entrado na sala fazendo malabarismo com hipopótamos, o rapaz ainda estava dormindo, Syon estava prestes a se retirar, quando a velha o chamou de volta, - Venha aqui de novo garoto! Ela gritou, ele olhou de  lado para seus amigos, que, juntamente com todos que estavam no salão, estavam completamente chocados, esperando para ver o que ia acontecer, mas a mulher apenas ergueu o copo em sua direção, - Um brinde, faz muito tempo que ninguém tem tanta coragem de falar comigo, ainda bem que os homens aparentemente ainda tem colhões! ela sorriu, mostrando suas presas envelhecidas e negras, o povo que assistia voltou a seus afazeres normais, e ele acenou e passou a servir as gêmeas, - Syon acabou de ganhar a confiança da velha! Robin constatou, - Isso foi muito legal! Sorriu Teresa, Jack roubou um olhar em direção a Sophie, que parecia bastante intrigada.

A banda então parou de tocar, e um grupo de homens em ternos entrou no salão, dois deles seguravam um objeto parecido com uma arca, coberto com um pano, Elizabeth se juntou a eles e tomou seu lugar no primeiro degrau das escadas, - Senhoras e Senhores, o evento da noite, o mais novo e prestigioso achado da sociedade arqueológica entrará em leilão, ela se dirigiu até o objeto coberto, e retirou o pano com um gesto rápido, dentro de uma redoma de vidro estava sentada um bela espada, Jack produzira um estranho som com sua boca, assustando Sophie e Robin, mas fazendo Teresa rir, a lâmina tinha uma peculiar brilhância avermelhada, e o mero fato de olhar diretamente para ela parecia machucar um pouco os olhos, a bainha e o punho eram de ouro puro, com gravuras de dragões se contorcendo, e a guarda tinha um desenho de um hexágono branco de pontas afiadas, - A Espada do Dragão, uma das posses que deu o título ao lorde que a segurava, Lorde Brazenblade, dizem que ela tem o poder de convocar chamas de dragão, muuuito perigosas, mas muuuito bonitas, ela sorriu, começamos com o preço extremamente baixo de 1000 moedas de ouro, disse ela, muitas mãos estavam no ar, os gritos rapidamente se seguiram, - 1050! Gritou um homem com cabelos negros como um corvo, - 1115! Dama Vermelha anunciou, enquanto Elizabeth apontava para ela, antes que Alma pudesse acompanhar, a contagem estava em 5000 moedas de ouro, oferecidas por Louis Sherridan, Robin e Sophie seguravam os braços de Jack para evitar que ele precisasse vender seus órgãos futuramente para pagar o dinheiro que não possuía, eles então observaram, enquanto uma bela Vampira, de vestido negro com borboletas andava até um dos homens que vieram juntamente com a organizadora, ela sussurrou no ouvido dele, e seus olhos pareceram saltar para fora, correu então para sussurrar no ouvido de Elizabeth, que precisou se segurar no corrimão, e então, lambendo os lábios, declarou, - Um milhão para a Srta. Fiamma! O salão ficou quieto, e o martelo bateu no final.
   
Após os Stakeworth terem saído do baile, com a Dama Vermelha revoltada por perder a espada, o Medusa passou a admirar o quadro, ele já havia lido sobre a cena nele representada, - Graçadeusa... Uma voz murmurou à suas costas, - Você conhece a história? Perguntou Alexandra, de olhos fixos na obra, o garoto assentiu, mas ela o ignorou, - Ela apontou para os monstros, de diversas espécies, que jantavam felizes em um enorme salão de igreja, ela então apontou para aqueles que estavam mais próximos à porta, que pareciam ter percebido o perigo se aproximando, ela estava tão perto do quadro que o tocava com as pontas das unhas, dois homens com caras terríveis fechavam as pesadas portas da igreja, ela então apontou para o que estava além de tais portas, chamas, vermelhas, amarelas e alaranjadas, - Eles ajudaram os humanos a construir essa cidade, e como foram pagos? Com morte, ela respondeu, o tom gélido de sua voz surpreendeu o garoto, não sabendo como mais tirar aquele clima, ele mudou de assunto, - É interessada por armas? Um amigo meu gostaria muito de ter tido o dinheiro que a Srta pagou, ele sorriu, ela o olhou por alguns segundos, antes de dizer as palavras que congelaram Syon em seu lugar, - Ele pode tê-la depois que eu a usar.

Syon a seguiu, sua mente estava confusa, e um enjoo passou por ele, como se estivesse em um barco, ele foi atrás dela, um sentimento febril subia por sua cabeça, ele a viu entrar em uma saleta ao lado das escadas, o deu um esguio olhar antes de fazê-lo, alguns gritos rápidos se seguiram, quando Syon chegou à porta, Alexandra passou por ele novamente, ela estava coberta dos pés a cabeça de sangue, e seu vestido deixava um longo traço ensanguentado no chão, ao virar-se, Syon teve que segurar o vômito, Elizabeth e seus ajudantes estavam mortos no chão, ele olhou novamente para a mulher, e viu que ela carregava a Espada do Dragão, respirando fundo ele a seguiu, debateu mentalmente se deveria ir buscar os outros, mas acabou decidindo que poderia não ter tempo de fazê-lo, se sua suposição sobre os planos da misteriosa Alexandra Fiamma estivessem corretos, ele não podia deixar aquilo acontecer, um trovão o distraiu, ''Quando começou essa tempestade?'' Ele pensou, se lembrando de quando foi pregado aquela cadeira, e forçado a exaurir suas forças, ele começou a coçar as feridas, que ainda estavam marcadas, ainda que saradas, em suas palmas da mão, ''Os deuses são cruéis, mas o clima é apropriado para a situação'', decidiu correr mais depressa, e então a alcançou, estavam na varanda do nível mais alto da construção, próximos ao teto, ele podia ver a Pudding Lane abaixo, parecendo pacata, mesmo com a chuva, - Eles precisam pagar, é apenas justiça, o sangue e a chuva se misturavam em Alexandra, e talvez um pouco de lágrimas, talvez, ela descreveu um arco com sua mão direita, começou com uma padaria e antes que Syon pudesse protestar, veio o vermelho, e o calor, era como se as gotas de chuva estivessem sendo evaporadas antes de atingir a terra, - Queimem! Proclamou ela, e então Londres sangrava fogo.
 
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Re: Pendulum [fic]

Mensagem  Blair Liddel em Qui Ago 15, 2013 9:45 pm

a) UHUUU o Diretor voltou!

b) Londres
Século XVII
1666
Grande incêndio de Londres em 1666
Eu não tinha previsto isso
Eu sou feita de estúpido.
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Capítulo 31: Aqueles que Caíram no Inferno

Mensagem  Jack Jerripher em Seg Ago 19, 2013 2:07 pm

O salão havia ficado em um silêncio absoluto, os olhos vidrados de todos encaravam as chamas dançando fora das janelas, até que taças começaram a cair das mãos que as seguravam, pratos eram derrubados, e os caos frenético que toda a situação causara deixou Teresa com medo de ser pisoteada, mas Jack estava a caminho, empurrou um senhor gordo de sua frente, para chegar até ela, mas Robin havia o feito primeiro, ela fez um movimento com a cabeça, e Jack o acompanhou, encontrando Sophie e Renée, o grupo se reuniu em um canto, conscientes de que não podiam fugir da responsabilidade, mas também não podiam ser engolidos pela chama, - Você e a Sophie sabem Magia de Água, vão tentar apagar essas chamas, nós tiramos a Teresa daqui e procuramos o Syon! Ordenou Renée, para uma mulher geralmente brincalhona e de bem com a vida, ela realmente podia apertar uma alavanca e ativar seu modo sério, Sophie puxou o braço de Jack, e com o poder combinado dos dois, um enorme jato de água sob pressão foi convocado, - Eu aprendi essa com os pergaminhos dos deuses, tente me acompanhar! A Harpia anunciou, o Dullahan concordou com a cabeça e os dois, mesmo com muita dificuldade, conseguiram mover o fluxo horizontalmente, mas era claro que aquele fogo não era algo natural, - O que... há... de errado... com essas... chamas?! Exasperou a Harpia, mordendo os dentes com a dificuldade de controlar a técnica, uma realização passou por ambos naquele momento, - Fogo de Dragão! Ambos entenderam.

- Por quê? Perguntou Syon, sua voz rouca, como se estivesse se segurando nas paredes de sua garganta, não querendo sair, - Graçadeusa, Fiamma murmurou, - Então você estava mesmo lá... Ele notou, ainda não conseguindo desviar o olhar, - Alguém tinha que sobreviver, para contar a história, e ajudar no quadro, ela respondeu, a voz dela estava em um tom amargo, - Eu ainda não sei como e nem por que sobrevivi, só sei que não importou no final... Ela voltou a dizer, Syon não estava compreendendo, ele não entendia a si mesmo naquele instante, ''Por que não consigo atacá-la? Sou tão fraco assim? Não... Tem algo... Algo a mais'', ele pensou para si mesmo, - O que quer dizer, com ''não importou''?, ele questionou, a mulher virou-se, pois estivera apenas calmamente fitando seu trabalho até ali, - Nós monstros passamos por tudo aquilo, ajudamos os humanos, como cachorrinhos, e eles nos apunhalaram nas costas, EU ajudei eles, pareciam tão bondosos antes, e para quê? Baal Stolas foi criada, com certeza, mas eles parecem apenas se importar com os humanos agora... Ela cuspiu, Syon havia ouvido falar dessa Baal Stolas, e se Jack e as outras estivessem corretas, ele realmente não podia contestar o que Alexandra dizia, - Nós... O meu grupo, Alma, está ajudando os monstros, conseguimos muitas coisas boas, junte-se a nós! Ele declarou, a mulher sorriu um sorriso triste, - Ouvi coisas sobre seu grupo. e agradeço, mas vocês devem saber que não é o bastante, nunca é o bastante, esse Rei de agora voltou a trás em sua palavra, e agora nos ajuda, mas quem garante que o próximo não irá declarar nosso extermínio? Ela perguntou, Syon engoliu em seco, e depois falou fracamente, - Não pode culpar muitos pelo erro de alguns! A mulher nem reagiu, - Não ouvi sua convicção, sei que também foi ferido por eles, sabe muito bem que eles estão contra nós, contra todos nós, mesmo aqueles que os ajudam... Ela constatou, e o garoto não conseguia dizer nada mais, ele entendia que o que o estava impedindo de agir... Era o fato de que ele estava começando a concordar.

- Oh não! Sophie exasperou, - O que foi agora? Jack perguntou, preocupado, - A direção que o incêndio está se espalhando, se continuar assim... Ela explicou, omitindo a última parte de propósito, Jack cobriu sua boca em choque, a sede da Alma já deveria ter sido engolida naquele momento, a própria escada sobre a qual ambos estavam começava a ser engolfada pelo fogo, - Sophie, temos que recuar! Disse o Dullahan, e a Harpia relutantemente concordou, o trabalho deles havia diminuído um pouco o calor e a altura das chamas, ainda mais com a, mesmo que pouca, ajuda da chuva que começava a cair, uma vez dentro do prédio, Sophie correu para as escadas, mas algo a fez parar, quando olhou para trás, percebeu para seu horror que Jack havia ficado para trás, - Droga! Ela urrou, percebendo a besteira que ele planejava fazer, ela saiu à toda, e o viu, flutuando no meio do fogo, em forma original, estava tentando controlá-lo, e parecia estar funcionando, tudo considerado, mas a garota sabia que um incêndio de tal magnitude, ainda por cima de Fogo de Dragão, não poderia ser controlado por um elemental do fogo, porém, algo chamou atenção dela, uma estranha energia emanava de Jack, ela questionou-se por um segundo se isso era por causa de seu sangue, vindo de um dos demônios antigos, mas ela logo foi distraída daquela linha de pensamento, ao perceber que ele começava a perder o confronto, ela abanou suas grandes asas, criando uma lufada que abriu as chamas entre as quais ele estava, mas apenas temporariamente, porém, era tempo o bastante, e ela o carregou dali, procurou pelos outros do alto, ''E nada do Syon...'' Ela pegou-se refletindo, até ver que uma mão abanava de cima de uma construção vizinha, ela aterrissou, ao lado de Renée, e passou Jack para Robin, ela se esforçou para segurá-lo, pois ele estava inconsciente, - Consigo carregá-lo para longe, para onde levei Teresa, VÃO! A Dainslef ordenou, - Vão? Onde? Encontraram o Syon? Ela perguntou, arfando, - Renée apontou, e Sophie o viu, estava no topo do prédio onde o baile havia sido, e andava na direção de uma mulher... presumivelmente a causadora de tudo aquilo, - Não! Sophie exclamou.

Alexandra estendia sua mão para ele, e o garoto andava em sua direção, ''Ela me entende'', ele pensou, lembrando-se de quando foi usado por humanos, e então lembrou-se de que o homem que o mantinha refém era um humano, ''Então por que ele havia virado um Minotauro depois?'' Ele se perguntou, agora lembrando-se melhor de algo que tentara bloquear, mas agora ele não podia responder aquilo, olhava a Srta, Fiamma nos olhos, ''Ela não parece uma pessoa má... Seus olhos são tão tristes... Mas mesmo assim...'' Ele olhou o fogo novamente, ''Eu estou me tornando aqueles que eu odiava?'' Ele pensou, tocando a mão da mulher, ela o envolveu em um abraço, e o virou, ambos olhavam as chamas, porém, uma sombra alada passou por perto deles, e largou outra no topo, - Larga ele, sua maníaca! A voz era de Sophie, e Renée estava junto dela - Elas vieram aqui para me ferir, proferiu Alexandra, genuinamente tremendo de medo, - Vocês não ent- Syon começou a dizer, tentando freneticamente explicar, mas a mão de Fiamma se moveu mais depressa, e antes que Sophie e Renée tivessem chegado perto dos dois, uma onda invisível de poderes psíquicos empurrou ambas para longe, fazendo-as baterem as cabeças e prontamente desmairam.

Alexandra segurou mais forte o braço de Syon, o fato de que o medo dela era tão verdadeiro paralisou-o, ele não podia entender como alguém que havia feito o que ela fez poderia ser tão... Vulnerável... - Assim que Londres cair, podemos repetir isso com Paris, Copenhagen, até nas colônias... Ela murmurou, - Nenhuma mãe ficará sem seus filhos novamente, ela declarou, sua voz cheia de pesar, Syon roubava olhadas para suas amigas, mas nenhuma delas parecia estar acordando, e debateu-se sobre como aquela última colocação era errada, mas então percebeu, ''Ela não está falando dos humanos... Ela perdeu os filhos no fogo...'', ele a tocou de leve na barriga, lembrando-se de que o nascimento de filhos marcava a barriga de uma Vampira, ele estranhou quando não percebeu que ela não possuía as marcas do parto vampiresco, e então compreendeu, ganhou coragem para falar, - Você... É a Vampira original, não é? Sua pergunta ecoou no vazio, até que ela o encarou nos olhos, - Sim... E aqueles a quem transformei também queimaram, se eu não tivesse sobrevivido, nossa espécie teria se extinguido... Ela lamentou-se, - Viu... Sua vida valeu a pena depois de Graçadeusa, ele a disse, mas ela apenas sorriu, - O que eu fiz foi apenas subjeitar ainda mais humanos à maldição de se tornar um monstro, que é oprimido e forçado a se esconder... As palavras dela eram como agulhas, e lágrimas começavam a percorrer o rosto de Syon, uma delas caiu no rosto de Alexandra, e ela estava prestes a se mover para secá-las, mas sua mão não se moveu, assustada, ela largou a espada, a derrubando do prédio, e tocou a mão paralisada com a outra, mas não pôde mais mexê-la também, ela encarou Syon com terror nos olhos, vendo seu óculos pendurado em seu bolso do terno, ela fitou seu próprio pescoço, nu, mas Syon mostrou a palma de sua mão esquerda para ela, ele segurava o colar de Fiamma, ela então petrificara por completo, Syon nunca mais se esqueceria de seus olhos, congelados em medo, tristeza, e acima de tudo... Solidão.

Sophie acordou, e conseguiu se erguer, embora com muito esforço, e o fez justo a tempo de ver Syon empurrando a mulher do telhado, a última visão dela que a Harpia teve, antes que fosse engolida pelas chamas, foi uma trilha de lágrimas a medida que ela caía, mas antes de parabenizá-lo, ela notou que ele também chorava, e entendeu, ela mordeu o próprio lábio inferior, e andou até ele, com um abraço, ela o segurou, enquanto a cabeça dele descansava em seu ombro, ela viu Renée acordando, ela tirou Syon dali e voltou para buscar a amiga, assim que os deixou no topo da construção de pedra, Syon murmurou, - Por que não estamos na sede? A pergunta doeu na cabeça de Sophie, mas para seu alívio, foi Renée quem respondeu, - Ela não existe mais, - E o Sátiro que morava na casinha ao lado? Sophie pediu, surpresa por não ter se lembrado antes, - Acho que ele disse algo sobre viajar da última vez que o vi, lembrando que era ela quem havia pegado as coisas deles antes de virem para o baile, Sophie respirou aliviada, mas perdeu tal alívio quando observou o Medusa novamente, - O fogo é cruel... Ele dizia, em um estado catatônico, a Harpia balançou a cabeça em negativa, - O fogo é o fogo, ele não bom ou ruim, quem nos deveria preocupar é a pessoa que o causa, ela explicou, mas vendo que uma resposta não viria, ela o pegou pela mão, enquanto saíam de perto da área incendiada.
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Capítulo 32: A Queda de uma Estrela

Mensagem  Jack Jerripher em Qui Ago 22, 2013 7:46 pm

- O fogo se alastrou durante quatro dias, casualidades ainda estavam sendo registradas, mas o capitão Bloodworth eventualmente conseguiu detê-lo, derrubando construções em seu caminho, como era de costume, o trabalho de Alma ajudou, embora tenha demorado mais do que o previsto, já que sua sede foi queimada, o grupo acabou sendo convidado a morar temporariamente no palácio de Windsor, os seis membros recusaram, e estão sendo transferidos para as nossas imediações neste momento. O Vigia terminou sua fala, olhando para a câmara, de um rosto para o outro, ele encarou os 12 puros, os oficiais de mais alta honra da Proteggere, eles mantinham as expressões sérias, até que um deles, aquele a quem chamavam de Alto, sentado na cadeira mais elevada, falou: - Pudemos confirmar que Alma fez tudo em seu poder para evitar o incêndio, mesmo que tenham falhado, no final, quem sabe quanto pior teria sido esse evento sem a ajuda do grupo, nós, os doze, agradecemos novamente por seu trabalho, ele terminou, apontando para outro dos 13, ele passou sua palavra, - As constelações estão em seu lugar, tudo começará hoje à noite, disse o irmão, mexendo em sua luneta de cobre.

A notícia causou um visível reboliço, ''Até mesmo os velhos ossos ainda sabem se preocupar com o que importa'', Percebeu o Vigia, - Hoje? Perguntou um dos velhos, - É muito cedo... Eles não estão prontos! Exasperou-se outro dos puros, as conversas dos velhos encheram o salão, até que o Alto levantou sua mão, - Se eles estão prontos ou não estão, não cabe a nós julgar, sentamos aqui e discutimos, o único de nós a estar com eles é... O velho careca apontou para o Vigia, - Obrigado, senhor, eu digo que estão prontos, olhem para as coisas incríveis que realizaram, deposito toda a minha confiança em Jack, Teresa, Sophie, Robin, Syon e Renée, ele declarou, a câmara da torre negra estava quieta, - Muito bem, os deixaremos em suas mãos, dez-e-nove, esteja aqui novamente no horário combinado, disse Alto, encerrando, o velho guia se retirou da câmara, abrindo as pesadas portas de ferro, ''Pelo menos o Alto Protetor não está tão senil quanto os outros, mas eu me questiono, as crianças estarão realmente prontas...? Ainda preciso parabenizá-los'' Ele pensou enquanto descia as escadas de pedra em espiral.

Abrindo uma fresta entre as portas para a área residencial da Proteggere, o Vigia estava pronto para congratular o grupo pela ajuda, mas o clima no proto-apartamento era tudo menos feliz, ele observou que Jack abraçava Teresa enquanto ela dormia, estirados em um sofá velho, Syon sentava em uma janela, observando o céu noturno, Sophie, Robin e Renée sentavam à mesa, os pratos trazidos por um irmão da ordem a duas horas atrás estavam intocados, nenhum deles percebeu que a porta havia sido aberta, a cena picotou o Vigia como um par de tesouras, e ele simplesmente fechou-se do lado de fora, mesmo com sua coluna doendo, ele se sentou, encostando-se na madeira, ele encarou as costas de sua mão direita, e o número 19 marcado a ferro vermelho, lembrando-se de seu dever, ''Eu trago mais responsabilidade a um grupo que está deprimido, o que é meu trabalho se não dar más notícias?'' Ele se questionou.

A situação permaneceu a mesma durante mais algum tempo, possivelmente horas, até que Sophie e Robin se levantaram de suas cadeiras, olharam-se nos olhos, e então se dirigiram, a primeira em direção a Syon e a segunda para Jack. - Eu sei o que você estava fazendo, Sophie me contou, sussurrou a Dainslef, Jack não respondeu, estava com o olhar cansado, com grandes rodelas negras abaixo dos olhos, Robin sabia que ele não dormira desde aquela noita - Eu me lembro da nossa conversa nos jardins, e você? Perguntou ela, e desta vez, o rapaz a fitou nos olhos, - Eu... Só estava tentando salvar todo mundo... Disse, - Se sacrificando? Você me explicou como tudo estava pesado para você, e estava, mas você acha que tudo ficaria melhor se você morresse? Ela questionou, ficando um pouco exasperada, - Não... É que... Eu tenho que proteger a todos, como você mesma disse... Ele explicou, olhando para a irmã, que sonhava, com uma cara pacífica, - O que eu quis dizer, é que você nos dá força, e toma conta de nós, e não tem como fazer isso se estiver morto, não é? Ela indagou, colocando a mão no ombro do Dullahan, que parecia estar muito cansado, - Obrigado, Robin, você estava certa, mas você tem que saber de uma coisa... Eu não sou o único que dá forças para o grupo, você está me dando forças agora, e fico contente que lute ao meu lado, ele admitiu, deixando-a corada, - Bem... Eu realmente... Gostaria de estar sempre com você... Ela expressou, pesando cada palavra, mas sua resposta não veio, normalmente, Robin teria se zangado por ser ignorada, ainda mais em um momento tão emocional, mas ela simplesmente puxou um cobertor para cima de Jack e Teresa, que agora ambos sonhavam, antes de se aninhar perto deles para dormir.

- Syon? Sussurrou Sophie, sentando-se ao lado dele, o Medusa a observou, colocando os óculos que ela lhe dera, - Eu sei por que você está assim... Ela começou, - Você não gosta de violência, não é? Ela indagou, - Não, nenhum pouco, ele respondeu, laconicamente, - Eu não poderia entender isso completamente, sempre resolvo coisas com violência, eu me considerava uma pessoa de alto intelecto, mas muitas vezes não vejo outra opção, ou pior, me deixo ser levada por minhas emoções... Minhas mãos se sujam com sangue... Ela explanou, mas o garoto segurou as mãos dela, a surpreendendo, pois imaginara que as mãos dele seriam mais macias, como ela sentira em suas costas, mas percebia agora que ele possuía mãos de trabalhador, e ela não sabia como lidar com tal questão, - Suas mãos podem se sujar de sangue... Mas você está sempre fazendo o bem, você derrota inimigos, e criaturas grandes e más, e nos protege, é uma heroína, mas eu... Eu acredito ter assassinado uma dama indefesa, que cometeu ações erradas por ter medo e se sentir sozinha, eu não sou nada parecido com um herói... Ele admitiu, desviando o olhar do de Sophie, a Harpia pegou o rosto de Syon com suas mãos, e deu-lhe um beijo, ela então se separou, e disse, - Isso não é verdade... Você é meu herói! Ela admitiu, ele soube que ela estava desconfortável em admitir suas emoções, e por isso apreciou ela ainda mais, - Como sabia? Ele perguntou, com o rosto corado, - Syon, eu não sou estúpida, acho que entendi com o milésimo olhar distante que você me deu durante aquela festa, ela sorriu, seus olhos brilhando na luz da lua, Syon não queria que aquele momento terminasse, nunca. Renée se levantou e foi dormir, - Eu sinto que estou me intrometendo em um clima... Comentou ela.

A grande luneta faiscava ao luar, mais tarde naquela noite, através de seus múltiplos espelhos, um dos doze observava, mas logo ficou evidente que ele e nem ninguém precisaria de uma luneta, um clarão azulado cruzou o céu estrelado, um cometa sobrevoava a terra, sua cauda flamejante iluminava até a noite mais escura, - Está começando... Disse o Alto Protetor, com os olhos fixos na anomalia, vista pelo teto entreaberto da câmara. Em um lugar distante dali, em um templo erguido com pedras no chão de um deserto, uma mulher alta e corpulenta, com a pele negra como ébano, girou sua lança, feita de branco-marfim, e desceu as escadas do templo, retomando suas atividades como guardiã, ''Preciso adiar o despertar o quanto eu puder...'' Mildred raciocinou, o Cometa atingiu uma certa posição no céu, e então, um barulho metálico ecoou, sendo ouvido no mundo inteiro, mas apenas por monstros seletos, era um som que significava a mudança, e trazia a perdição em seu rastro...
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Capítulo 33: O Deserto Azul

Mensagem  Jack Jerripher em Seg Ago 26, 2013 3:40 pm

Na manhã seguinte, não podendo mais atrasar as más notícias, o Vigia entrou no habitação, pedindo para que todos viessem até a câmara dos puros, para terem esclarecimentos sobre os acontecimentos recentes. Jack e Syon se apressaram para abrir a porta de ferro, dando um certo descanso para o guia do grupo, Sophie abraçou seu namorado pelo ato, e eles adentraram na ampla sala, ela estava vazia, exceto pelo Alto Protetor, que andou em direção a eles, sua careca parecia brilhar mesmo no escuro, - Sejam bem-vindas, crianças, à Torre Negra, quartel general da Proteggere, sei que não tivemos muito tempo para conversar, desde que chegaram aqui, mas espero poder remediar tal conduta, ele os conduziu através de uma porta escondida, os levando à uma escada, que levava à pequena saleta de chá, - Acreditem, vão querer estar sentados quando ouvirem as notícias, disse o Vigia, - É uma notícia ruim após a outra, valha-me Deus! Renée blasfemou, o resto do grupo a repreendeu com olhares, - Ora, não precisam fazer isso, não somos uma ordem de cunho religioso... Embora suponho que não seja difícil nos confundir com frades! Riu-se Alto, sentado na ponta da mesa, enquanto coçava suas barbichas brancas, - Nós apenas nos dedicamos a cuidar das profecias, e dos alvos delas... Completou o Vigia, limpando suas suíças de farelos de bolachas, não foi difícil para o grupo adivinhar onde aquela conversa estava chegando.

- O tempo chegou, não chegou? Perguntou Teresa, com olhar preocupado, mesmo com açúcar ao redor da boca, - Aquele... Mal, cujo o senhor nos disse que pararíamos, É ele, não é? Robin indagou, a atmosfera pareceu ter ficado ainda mais fria, embora não pelo vento que soprava pela janela, - Sim, minhas crianças, tememos que o mal mais antigo esteja quase pronto para se libertar de suas correntes, disse Alto, - Seria muito melhor se vocês não falassem em charadas, gostaríamos de saber o que é este ''Mal mais antigo'', Sophie abriu o jogo, mas para a surpresa do grupo, a resposta veio automática... De Jack, - Os Antigos, ele murmurou, aquela palavra, ''antigos'' era uma palavra comum como qualquer outra, mas, embora não se pudesse explicar por que, seu peso havia se intensificado naquele contexto, - Os Antigos, como devem ter uma noção geral, são entidades demoníacas, velhas como a terra, ou mesmo ainda mais antigas, O Vigia explanou, - São sete, incluindo o pai de vocês dois, o Alto destacou, Jack e Teresa desviaram o olhar do grupo, não que tal informação fosse novidade, mas falar sobre o assunto era difícil para ambos, - Todos os sinais se encaixam, as atividades deste último período apontam para o começo, O Alto começou então a enumerar os sinais, - Aumento significativo dos conflitos entre nós e os humanos... Sophie concordou, seu trabalho antigo, em Baal Stolas, a fazia perceber esse aumento, - O Ataque à Arvore do Mundo... Robin pestanejou, lembrando-se daquela difícil batalha, - Humanos se transformando em monstros e perdendo seus sentidos... Syon teve um de seus flashes, lembrando-se do homem que o havia prendido e abusado de seus poderes, - Velhos símbolos de fé se preocupando com suas próprias vidas... Teresa recordou do torneio da ''deusa'' Atena ao qual Sophie foi convidada, - Os quatro guardiões de Kyoto sendo atacados... Jack se recordou dos olhos de Byakko, - E a plantação de sementes da dúvida e da discórdia entre os humanos... Renée se lembrou de seu antigo chefe, e de sua traição, - Todos estes e mais o cometa de ontem à noite são arautos do despertar, e o primeiro desses Antigos já está em processo de acordar, e ele é a chave que abre os portões dos nove infernos. Alto respirou profundamente, após seu discurso.

- Nove... Infernos? Renée questionou, - Que eu soubesse, só existia um inferno, para onde monstros que fizeram coisas atrozes em vida são mandados, agora por que são nove? Indagou a Caçadora, - Eles não são um Inferno, como vocês conhecem, são dimensões alternativas... Como camadas entre esse mundo e os outros, Jack explicou, - Embora Inferno seja um bom nome para alguns deles... Teresa sorriu, desconfortável, - Vocês moravam em uma dessas dimensões, como escaparam? Sophie questionou, - Uma Esfera de Triphetir, aparato feito para pular dimensões, todos os sete possuem uma, o Dullahan notou, - Então... Por que eles precisam desse ''despertar'' todo se tem um artefato mágico para vir para cá? Robin perguntou, - As Esferas limitariam a força e as habilidades de um dos sete, se eles resolvessem usá-las, e os confinariam em forma humana, foram concebidas quando eles foram exilados para suas dimensões pessoais, e dadas para eles como sinais de confiança, para que pudesse haver harmonia entre essa dimensão e as outras, mas é claro, que eles sempre procuraram maneiras de burlar estas limitações, e vir para a terra com força total, e o despertar é uma delas, O Vigia explicou, - Mas... Por que eles querem vir para cá, para começo de conversa? Sophie perguntou, - Para eles, os conflitos internos nas almas dos homens são atrativos... E nutrientes, mas acima de tudo, fontes de poder, não que eles não os tirem dos outros habitantes dos nove infernos, mas aqui, o potencial seria praticamente ilimitado... Alto relatou, - Então... As almas realmente existem? Teresa perguntou, seus olhos brilhando, - Temo não ter uma resposta absoluta para ti, filha, me referi apenas às emoções internas de cada um, me desculpe, o velho careca afirmou, - Eles precisam ser detidos, antes que abram essa tal porta, Robin constatou, os dois senhores se entreolharam.

Os seis integrantes de Alma, e mais seu Vigia, estavam reunidos em outra sala, desta vez completamente isolada, um cristal azul-escuro estava sentado em um banco no meio desta, - Este é um portal para o Templo dos Anciãos, nós conseguimos selá-lo em mais uma dimensão, como se colocássemos outra camada para a proteção, porém, temo que ele não serviria de muito se o Porteiro conseguisse acordar, Expôs o Vigia, - Porteiro? Perguntou Syon, - É como apelidamos o primeiro dos Antigos, aquele que desperta primeiro no mundo dos homens, dentro do Templo dos Anciãos, se ele despertar, abrirá a porta para os outros, Ele voltou a explicar, - Nosso primeiro trabalho e nos reunirmos com nossa oficial postada no Templo, apontada como Guardiã, ela nos conduzirá a um ritual, que ajudará a selar o Porteiro, e reverter o processo do Despertar, eu irei junto com vocês, nesta tarefa, mas ficarei com meu corpo físico aqui, caso os doze puros necessitem de mim, ele explicou, - Estão prontos? Ele questionou, os seis companheiros se encararam, - Enfrentamos muitas coisas juntos... Sophie afirmou, - Conhecemos pessoas novas... Robin seguiu, - Salvamos muitas delas... Renée sorriu, - Fizemos nosso melhor em cada situação... Syon disse, afinando suas mechas compridas, - Mudamos uns aos outros... Jack afirmou, - Aprendemos muitas coisas novas... Teresa confirmou, o Vigia apenas deu um de seus sorrisos, antes de tocar no cristal com a palma de sua mão.

Robin movimentou-se para ajudá-lo, pois o velho havia começado a urrar de dor, mas antes que ela pudesse fazer alguma coisa, o cenário havia mudado, não estavam mais em uma pequena sala escura, estavam agora do lado de fora, areia fina sob seus pés, e um céu como vidro acima deles, - Bizarro! Teresa declarou, correndo em círculos, com Typho voando atrás dela, - Eu... Não imaginava que seria assim, Jack admitiu, - Poucas coisas são como imaginamos que elas sejam, e mais raras ainda são aquelas que são exatamente como as pensamos, a voz era do Vigia, mas o corpo que era dono da voz era o de um homem vinte anos mais novo... O que o ainda deixava com aparência de um cinquentão, mas suas suíças não eram totalmente brancas, tendo cores negras e cinzentas misturadas, embora o cabelo o fosse, seus robes ainda eram branco puro, e seus olhos, embora não tão cansados, ainda conservavam o azul mais claro que os membros da Alma já tivessem visto, eram da cor de gelo sujo, - Você está bem! E isso vem de alguém que gosta de homens mais velhos! Renée notou, - Obrigado, minha cara, ele disse, carinhosamente, - Oh, por favor, pode nos chamar pelo nome... E falando nisso, qual é o seu nome? Notei que nunca perguntamos isso, a Caçadora indagou, - Nós da Proteggere abandonamos nossos nomes e nossas vidas anteriores para nos dedicarmos totalmente à proteção das profecias, todos temos a classificação de Vigias, mas temos, de fato, números, Ele mostrou as costas da mão direita, onde um 19 negro repousava, - Se não nos contar seu nome, nós voltamos, Robin brincou, se fazendo como se fosse sair daquela dimensão, o homem sorriu um sorriso sincero, - Tudo bem, tudo bem, faz mais de trinta anos que não digo meu próprio nome, mas eu costumava me chamar Virgílio, ele afirmou, - Virgílio não é tão distante de Vigia, chato! Teresa brincou, fingindo cara de emburrada, fazendo os outros rirem, mas Sophie conservou um olhar suspeito em sua expressão, - O que foi? Syon perguntou para ela, andando ao seu lado, - Não, nada, é que o nome me fez lembrar de uma coisa... Ou melhor, não me fez, pois eu esqueci o que era... Terminou ela, Syon simplesmente segurou sua mão, - N-na frente deles? Ela perguntou, corando, - Precisamos esconder? O Medusa questionou, ela balançou a cabeça em negação.

Um berro estridente os surpreendeu, e um jato de fogo surgiu à frente deles, a ave mais estranha que todos já haviam visto apareceu, ela não era propriamente uma ave, embora tivesse as asas e garras de uma águia, mas seu corpo era serpentino, sua cabeça não passava de um olho azul-elétrico, e ele possuía bolhas vermelhas em volta da cauda, nenhum deles saberia dizer de onde o fogo havia saído, - É um Typho-Monstro! Teresa anunciou, embora Sophie precisasse corrigí-la, pois Bugbears eram, tecnicamente monstros, porém, antes que pudessem retaliar, Virgílio apontou seu dedo indicador e médio em direção ao bicho, um relampejo negro foi visto, e a fera simplesmente caiu, sem movimentos, na areia, - Você podia muito bem ser um de nós! Jack cumprimentou-o, - Minhas habilidades precisam estar afiadas também, ou com que direito pediria o mesmo de vocês? O Velho questionou, - Vii, por que essa areia tem essa cor azulada? Teresa perguntou, já escolhendo um ''pet name'' para o Vigia, - Ela é assim por estarmos no mundo dos sonhos, ele explicou, - Essa explicação fez todo e nenhum sentido ao mesmo tempo, Robin reclamou, estando correta, - Como assim, mundo dos sonhos? Achei que estávamos em mais uma dimensão de bolso, Jack perguntou, - E estamos, mas nós apelidamos essa de ''O Mundo dos Sonhos'', pois é nos sonhos em que a nossa imaginação é ilimitada, Virgílio notou, - Imaginação... Me parece uma ideia meio tola, Jack replicou, - Talvez seja mesmo, mas sua falta de limites pode ser tanto uma benção quanto uma maldição, creio que entenderá em breve, e preciso avisá-los de que as coisas que veremos em nosso caminho serão... Inusitadas, ele afirmou, o grupo continuou andando então, sempre em frente, em direção ao Templo dos Anciãos.
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Capítulo 34: O Mundo dos Sonhos

Mensagem  Jack Jerripher em Qui Ago 29, 2013 2:53 pm

- Está de dia ou de noite? Teresa perguntou, ofegando de cansada, - Não há tais distinções nesta dimensão, temo eu, respondeu o Vigia, que também puxava a gola de seus robes para baixo, - Estamos andando a quanto tempo? Perguntou Robin, - Não deve fazer mais de duas horas, Jack ponderou, coçando seu queixo, Sophie havia voado para medir a distância até o tal Templo dos Anciãos, e ainda não havia voltado, - E se ela tiver sido atacada? E estiver em perigo! Syon entrou em pânico, Renée, Robin e Teresa se entreolharam, entre risinhos, - Parece que você nem conhece a própria namorada, Sophie é osso duro de roer, afirmou Renée, Syon foi obrigado a concordar, mas suas dúvidas não haviam sido completamente mitigadas.

Dois jatos de areia azul apareceram aos lados do grupo, Teresa chegou, por um instante, a pensar que fossem geysers, por causa da cor azulada daquele deserto, mas deles saíram duas esquisitas criaturas, como se fossem panteras, alguns minérios e estranhos cristais da mesma cor da areia cresciam em suas costas, - Vii, o que são eles? Robin perguntou, utilizando o apelido, que já havia se disseminado entre o grupo, - Sinto não ter conhecimento tão completo sobre bestas de outras dimensões, Robin, ele admitiu, a pequena Dullahan passava as páginas de seu livro, procurando alguma referência, enquanto seu irmão e Renée formavam uma barreira à sua frente, o chicote de prata da caçadora atingiu uma das panteras no rosto, mas o barulho resultante foi como se metal tivesse se chocado contra outro metal, e nem ao menos marcou a pele da criatura, Jack estalou os dedos, usando Chariot, e invocou Presa das Feras, a rapieira que havia recebido de Byakko, ele lançou a ponta da arma de tigre contra as panteras, obteve sucesso marginalmente maior do que o de Renée, embora não fosse tão considerável, Robin lutava contra a outra, o felino a segurava no chão, mordendo seu braço-espada, enquanto Syon tacava seu bastão nas costas da criatura, até que atingiu a barriga, fazendo a fera largar a Dainslef, - A barriga parece ser o ponto fraco, Virgílio explanou, antes de apontar seus dedos, invocando um redemoinho, que levantou a outra fera para o ar, Jack e Renée aproveitaram, e ambos saltaram sobre ela, com suas espadas, perfurando a barriga macia.

A segunda pantera estava prestes a saltar de volta contra Syon, quando uma série de agulhas, feitas de água sob pressão, perfuraram transversalmente a gata, a areia se dispersou no ar, quando Sophie pousou, - Ótima técnica! Robin agradeceu, enquanto ambas se cumprimentavam, - Βελόνες Ωκεανού, Sophie respondeu, - Aprendi com o pergaminho, ela remarcou, - Eu não entendi nada do que você disse, mas eu acredito, Syon respondeu, a pegando em seus braços, - E quanto ao templo? Jack inquiriu, a Harpia engoliu em seco, - Digamos que não temos tempo para gastar com mais bichos, o lugar está bem longe, até mesmo para mim, ela admitiu, o grupo não perdeu mais tempo algum, apressando o passo, - Embora tenhamos que chegar depressa, não seria completamente uma boa ideia exaurir nossas forças por completo, precisamos manter um passo constante, o Vigia notou, nenhum deles respondeu, suas chances pareciam diminuir a cada minuto, e nessa missão, não deveria haver nenhum espaço para falhas, ´´Não como Londres´´, Jack pensou, e apenas lembrar-se do nome já doía, e ele não estava sozinho, sabia que todos concordavam neste aspecto, embora não tivessem deliberado muito sobre o assunto, o silêncio do grupo falava mais do que mil palavras, embora nenhum deles quisesse dizer apenas uma.

- Assim, assim, continuamos andando... Renée murmurava, o resto de Alma sabia o que ela tentava fazer, motivando o grupo, mas já estava começando a ficar chato, Syon e Sophie se entreolharam, como se dissessem, ´´Não, diz você!´´, até que Robin puxou Jack pela manga, e ficaram para trás na fila, ainda aos ouvidos de todos que não eram Renée e Virgílio, - OK, eu sei que isso irrita, mas vai piorar se alguém comentar, é sempre assim que funciona, então... Vamos tentar aguen-TAAAR! Ela falava, mas seu grito teve outra fonte, sem aviso algum, era como se os sete andassem no céu, mas o que viam quando olhavam para baixo não eram as areias, mas o mesmo céu cristalizado de antes, eles haviam simplesmente virado, o teto era chão, e vice-versa, - Mas o quê?! Sophie reclamou, enquanto o resto tentava controlar ansias de vertigem, - Mas que coisa mais engraçada! Jack notou, embora os outros não estivessem achando a menor graça, Renée, porém, agradecia o fato de ele não estar levando mais tudo tão negativamente, - Todos se acalmem, precisamos continuar andando, Virgílio denotou, - É extremamente confuso, parece que vou cair a qualquer instante... Disse Syon, e foi dito e feito.

Antes de todos caírem, Jack tentara usar Hierophant, mas não funcionou, pois o cristal que continha aquela dimensão de bolso era, obviamente, protegido contra tais tentativas, no caso de alguém tentar escapar, Sophie tentara comandar suas asas, mas era como se seu cérebro ainda não se lembrasse para qual posição ficava o cima, e onde estava o baixo, por fim, nem ao menos o Vigia havia conseguido soltar uma de suas magias, apenas um vento fraco saía de seus dedos quando ele tentava, será que seria esse o fim deles? Mortos ao cair, batendo contra as paredes de uma dimensão e sendo obliterados? Parecia uma forma trágica de morrer, e por isso Teresa juntou suas mãos, e pediu, ´´Por favor, não...´´, O cristal em volta deles brilhou, e em um piscar de olhos, eles estavam sobre a areia novamente, - Essa foi por pouco! Robin notou, resfolegando, até Virgílio precisou recuperar o fôlego, Teresa fitou as próprias mãos com um olhar de êxtase, seu irmão bagunçou seu cabelo, sorrindo para ela, - Parece que escutaram seu pedido! Ele comentou, a pequena concordou, - Olhem! Syon apontou, e os queixos dos sete caíram, estavam agora na frente do Templo dos Anciãos, - Isso nos coloca horas á frente do plano! Comentou o Vigia, mas pouco ele sabia, que o relógio de pedra já havia começado a contar...
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Re: Pendulum [fic]

Mensagem  Hildegarde Simpson em Dom Set 01, 2013 5:34 pm

Então... Eu estava sem ter o que ler, então li o primeiro livro da Grave novamente, e eu preciso comentar sobre a atenção ao detalhe do Jack, eu sempre me perguntei sobre o por que a Bravengardes era decorada como a Inglaterra (todas as republicas tem tema de um país diferente) e agora, com a revelação de que Jack e Teresa são, tecnicamente, parte da família real, isso faz tanto sentido que eu choro.
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Re: Pendulum [fic]

Mensagem  Jack Jerripher em Seg Set 02, 2013 1:52 pm

^Fico muito contente com esse elogio, estive pensando pouco tempo atrás se alguém notaria, o Igor Malkuth também me mandou uma mensagem sobre isso algumas semanas atrás.
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Capítulo 35: O Despertar

Mensagem  Jack Jerripher em Seg Set 02, 2013 6:27 pm

- Bem vindos, anunciou uma voz, enquanto os membros de Alma olhavam para conhecer sua fonte, a mulher de pele escura se inclinou e ajudou Teresa a se levantar, a garota a agradeceu, assim como seu irmão também o fez, antes de notar a lança completamente branca que a mulher segurava, considerando se deveria pedir para trocar com Presa das Feras, antes de decidir que era uma má ideia, ao invés disso, o que ele disse foi: - O que é isso amarrado em sua arma? Uma espécie de cordão brilhante estava atado próximo à ponta do pole, - Por favor, me acompanhem para dentro, temos pouco tempo, explanou ela, virando-se e entrando nas ruínas, o grupo a seguiu, estavam em uma construção feita inteiramente de pedra, o lugar era escuro e seco, cheirava a pó e decomposição, - Merece o nome, Robin comentou, - O propósito desse lugar é muito mais importante do que seu cheiro, temo eu, Virgílio denotou, - Diz isso por que não precisa ficar de guarda nele, 19, a mulher, que se introduziu como Mildred, denotou, fazendo o velho quase cair da escada com o comentário, Renée tocou Sophie nas costas e murmurou, - Essa é das minhas!

A lança pálida foi introduzida em um buraco no centro de uma parede, por outro buraco minúsculo, no canto direito, passava o mesmo fio brilhante que Mildred carregava, - Não trate armas assim! Jack anunciou, mas foi ignorado, - Calma, bebê, Robin brincou, dando um tapinha nas costas do garoto, Renée estava gostando de sua própria influência sobre ele, a parede balançou um pouco, antes de se abrir, revelando uma câmara iluminada apenas por velas, possuindo pilhas de livros de ambos os lados, na parede norte, figurava-se um enorme relógio feito de calcário, levou um tempo para que os membros de Alma percebessem que os números não eram gravados em relevo, mas estavam flutuando paralelos à suas posições, os números 1 e 2 já estavam apagados, - Me diga que não são as horas faltando, Sophie comentou, - Não, ao contrário, faltam dez horas para o despertar, chegaram mais cedo, isso nos dá mais tempo para o ritual, Mildred notou, - Na verdade, tal método não será necessário, Virgílio reparou, surpreendendo até mesmo a guardiã, - Como assim, não há outro método viável, ela constatou, com um olhar altaneiro, - E se eu te dissesse que trago dois com o sangue de um dos Antigos? Perguntou o Vigia, um sorriso apareceu no rosto da mulher, - Isso me deixaria mais esperançosa, um círculo mágico de cor esverdeada apareceu à frente de sua palma, os corpos de Jack e Teresa brilharam da mesma cor, - Estão longe de casa, vocês, e estamos prestes a fechar a sua porta de entrada, ela afirmou.

- Já que temos um método melhor do que o ritual, podemos passar para ele, Jack, disse o Vigia, encarando o garoto, - O que envolve esse método? O rapaz indagou, - Precisamos que absorva os poderes de Aeryphit, o Porteiro, Mildred explicou, as faces dos seis empalideceram, - Absorver os poderes de um Antigo, estão fora do sério? Jack gritou, mas tanto Sophie quanto Robin o sustentaram, - Precisamos ouvir o que eles tem a dizer, a Harpia o disse, lembre-se do que está em jogo, a Dainslef o disse, Syon acenou enquanto Renée deu um sinal de thumbs-up, - Se não quiser eu me ofereço! Teresa sorriu, deixando seu irmão encabulado, antes de recuperar a fala, - Não posso perder para minha irmãzinha, então, tudo bem, conte comigo, ele afirmou, - Se acalmem, esse plano é um jogo para dois, precisamos do melhor lutador entre vocês, isso é, excluindo aquele com o sangue dos Antigos, Virgílio comentou, se retirando da câmara, em direção às escadas, - Onde está indo? Syon questionou, - Meu dever com vocês terminou, e Alto está me chamando para voltar, o senhor anunciou, sentindo uma pontada, os membros de Alma baixaram os olhos com a notícia, - Não têm por que se preocuparem se têm plena certeza da vitória, ele disse, completando com um ''boa sorte!'' Antes de se retirar, Jack alisou a mão de Teresa, - Não se preocupe, vamos vê-lo novamente.

- Tenho certeza de que é a Sophie que procuram, Renée denotou, causando com que a Harpia corasse profusamente, - Sem sombra de dúvidas, Syon notou, pegando sua namorada pela mão, - A luta lá atrás provou isso, Robin sorriu, enquanto foram separados de Jack e Teresa, que foram conduzidos para uma passagem diferente, - Espero que não tenha muitos problemas nas costas, querida, Mildred disse a Sophie, antes de vir buscá-la. Para sua surpresa, não estavam no mesmo lugar para onde Jack e Teresa foram levados, mas a uma câmara privada, com uma mesa plana ao centro, - Preciso que retire a parte de cima e se deite de costas, receberá uma tatuagem, a mulher lhe explicou, para falar a verdade, a Harpia era fascinada por essa arte oriental, mas nunca pensara que faria uma de verdade, ela concordou, - Se é necessário, ela disse, antes de deitar-se, a primeira agulhada a fez morder os lábios, - Posso ter usado um pouco de força demais, Mildred desculpou-se, mas Sophie sabia que era mentira, a segunda e as demais foram tão doídas quanto, - Primeiro um círculo para abrir a porta do infinito, a mulher denotou, e continuou, desta vez Sophie gritou, a porta atrás de ambas se abriu com um estrondo, a próxima coisa que Sophie sentiu, ao invés de uma agulha de bambu, foi uma mão tocando na sua, - Está tudo bem agora, Syon sussurrou para ela, - Precisamos continuar, a guardiã constatou, Sophie olhou seu amado nos olhos, gentis castanhos que pareciam conhecê-la por muito tempo, - Pode seguir, ela disse, e a Harpia não gritou mais, a sensação mais forte naquele momento não era mais a dor, - Um triângulo dentro para o equilíbrio, e finalizamos com o sinal de Ouroboros para ter novamente o infinito, Mildred terminou, - Quanto tempo passamos aqui? Syon perguntou, após terem acabado, - Cinco horas, disse Mildred, encarando o relógio de pedra através de uma fenda, - Agora, moça, precisa se recuperar rápido e me seguir, e o moço precisa voltar, explanou a guardiã, mesmo com os protestos do garoto, Mildred o empurrou para fora.

- Ela está bem? Robin perguntou, preocupada, - Era uma tatuagem, achei bem bonita, ele notou, - Claro que achou, +10 pontos sexy, Renée piscou para ele, deixando-o corado, nenhum deles sabia com o que seguir aquele assunto, então Robin deu seu melhor palpite, - Vocês já pararam um pouco para pensar, sobre o quanto mudamos nesse último ano? Robin perguntou, ambos pararam para refletir, antes dela retomar, - Eu era apenas uma dançarina, e parte do tempo uma bate-carteiras ao mesmo tempo... Ela lembrou-se, - Eu costumava apenas treinar para uma vida que eu não queria, em um vilarejo remoto nas montanhas, Syon relembrou, - E eu uma simples caçadora... em uma equipe de traidores, uma ''matilha''... Renée suspirou, - Por que nós buscamos mais responsabilidades, não é geralmente o contrário? A dançarina questionou, 50% séria, e os três simplesmente parara ali, questionando-se sobre o que estava prestes a acontecer, metade do tempo havia se passado.

- Você está falando sério? Perguntou Sophie, com as costas ardidas, - Sim, acredite ou não, é uma parte importante desse plano que a força de vocês seja testada contra a minha, explicou Mildred, ficando no centro da arena, Jack e Sophie se entreolharam, antes de tomarem seus lugares, Jack estava interessado em testar aquela lança de tantas utilidades, e por isso invocou Presa das Feras, uma arma mágica contra a outra, apesar de seu tamanho avantajado, Mildred tinha reflexos de gata, parecia flutuar como uma pena para fora da linha de ataque do garoto, que errava estocada atrás de estocada, ele tentou colocá-la de costas contra uma pilastra, mas ela previu o ataque, e desviou bem na hora em que Sophie saia de trás da mesma, com um soco infundido de relâmpago, a mulher deu um passo para frente, Jack perguntou-se por um momento se ela era louca, devia estar indo para a direção oposta, porém, em um flash, a mulher desapareceu, e quando o Dullahan deu por si, arranhões apareceram em sua armadura, e ele fora derrubado, - Rápida... Sophie notou, ajudando o garoto a se levantar, Mildred usara a mesma técnica novamente, desta vez retalhando ambos, e fazendo-os cair ao solo, - Não sei se confio em vocês com minha vida, a guardiã remarcou, podia até ser uma resposta infantil, mas ambos simplesmente estavam irritados, concentraram seu poder, um sorriso escapou o rosto da mulher, ela usou o mesmo passo novamente, porém os dois saltaram para o lado, a evitando, Sophie lançou uma onda de raios contra Mildred, mas ela apenas usou sua lança como uma vara e saltou por cima do golpe, Jack se aproveitou da abertura e investiu contra ela, usou sua rapieira com habilidade, a ponta raspou o cabo da lança branca, sendo desviada continuamente para o lado, mas, de súbito, as golpeadas de Jack ficaram mais rápidas, ele concentrava sua energia na velocidade, mas Mildred continuava rebatendo, até que, com um florete, a arma da mulher foi lançada para longe, perfurando a parede, ela parou a luta e congratulou a ambos, antes de conduzir-lhes até a sala principal.

Finalmente de volta à sua dimensão, Virgílio abriu a porta da saleta do cristal, passando pelas escadas, ele retirou-se para a câmara dos puros, mas encontrou-a vazia, nenhuma luz para iluminá-la, pegou-se pensando se teria chegado mais cedo do que o resto, mas não era possível, ele ouvira claramente o Alto Protetor o chamando, e por qual motivo nem mesmo uma vela estava acesa, isso ele nunca havia visto, caminhou em direção das arquibancadas onde os doze se sentavam, ''Justo na hora de mais necessidade esses decrépitos me aprontam isso...'', ele pensou, se apoiando, para aliviar um pouco a dor na bacia, porém, sua mão encontrou algo que ele não esperava, algo molhado e pegajoso, precisou aproximar o líquido em suas mangas de seus olhos, para observá-lo melhor, ele entendeu lentamente demais, ''Sangue'', a lâmina o atingiu nas costas, e a segunda facada não demorou muito mais, suas pernas não mais o sustentavam, caindo de joelhos, ele se virou, encarando a face de Alto, sua boca se moveu, mas nenhuma palavra dela saiu, reuniu todas as forças que ainda possuía, e disparou um de seus raios, mas o homem agarrou seu braço, e mudou assim sua mira para a parede ao lado deles, a terceira facada, desta vez no estômago, o fez vomitar sangue, - Sinto muito, dez-e-nove, mas não posso deixar que estrague tudo, antes que ele pudesse tentar outra coisa, o aço o calou para sempre. Dentro do Templo do Anciãos, os números do relógio foram todos apagados, e o primeiro deles estava chegando...
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Aviso

Mensagem  Sophie Merryweather em Dom Set 08, 2013 9:34 pm

Sinto em informar que Jack não poderá entrar essa semana no fórum para postar os capítulos. Não pensem que ele não está tão triste quanto vocês, por isso venho lhes pedir desculpas a pedido dele. Espero que o compreendam e perdoem.

Agradeço pela sua atenção.
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Re: Pendulum [fic]

Mensagem  Luke Truesdale em Seg Set 23, 2013 6:46 pm

Então, alguem sabe se aconeteceu alguma coisa?
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Capítulo 36: Dor para o Universo: Parte Um

Mensagem  Jack Jerripher em Seg Out 14, 2013 4:36 pm

Minhas desculpas pela ausência prolongada, principalmente sem explicação e no final da fic, ainda, tsc tsc tsc, Jack ruim.

- Agora, Jack e Sophie! Soou Mildred no topo de sua voz. Um clarão forte de cor esverdeada iluminou o recinto do templo, e a figura de um homem apareceu em frente ao relógio de pedra. Seu corpo esbelto e pálido estava banhado por uma cálida e pura luz branca, acentuando sua beleza. De face em formato de coração e cabelos cortados rente, loiro-platinados, o homem seria percebido facilmente no meio de uma multidão, mas sua característica mais marcante, porém, eram seus olhos, que brilhavam de uma sobrenatural cor púrpura.

Sophie cruzou os braços em frente de si mesma, começando a proferir o hino que Mildred havia lhe ensinado, para começar o ritual de aprisionamento. Com um estalar de dedos invocando Chariot, Jack chamou Presa das Feras, bravamente apontando a arma para o inimigo. Na retaguarda, Syon, Renée, Robin, Teresa e até mesmo Typho posicionavam-se em estâncias defensivas, embora todos esperassem que o ritual funcionaria.

Uma segunda luz ofuscante se fez presente, as costas do vestido de Sophie explodiram, revelando a marca que Mildred havia feito. Como se fossem partes vivas, os três sinais gravados começaram a se movimentar, primeiramente o círculo mais externo, começara a girar no lugar, então seguido pelo triângulo subscrito, fazendo o mesmo movimento porém para o sentido oposto, e por fim, Ouroboros, mordendo seu próprio rabo. A energia concentrada resplandeceu em tons de azul escuro, fazendo até mesmo os membros da Alma fecharem os olhos por um instante.

Olhando um ao outro nos olhos, a Harpia e o Dullahan concordaram com um movimento afirmativo. Sophie descruzou seus braços, e a aura quase elétrica em suas costas se concentrou em forma de uma esfera, a frente de suas mãos. Com um movimento brusco, as esferas relampejaram e soltaram brilhantes fagulhas de energia, em direção a Jack.

Respirando fundo e colocando a rapieira em frente a sua  face, Jack usou os pés para cavar um pouco no chão, para que pudesse aguentar melhor a força do golpe. Os olhos preocupados de sua irmã, de sua amada, e de seus companheiros foram as ultimas coisas que ele viu. A energia o atingiu, alastrando-se por sua arma e conectando com seu corpo, ele sentia uma forte queimação, quase como se sua pele estivesse sendo esfolada, mas  ele tinha uma missão em foco e pessoas para proteger. Tomando o controle de si mesmo novamente, Jack segurou com mais força na guarda de Presa das Feras, causando com que a relampejante energia azul -escura se concentrasse pela lâmina. Com um salto, o Dullahan se arremeteu contra o Antigo.

Uma explosão multicolorida brilhou por um segundo, quando a visão de todos voltou ao normal, podiam notar que as paredes ao lado de ambos os combatentes estavam rachadas com pura energia. Fumaça e escombros giravam no ar e quando voltaram ao chão, todos ali presentes suspiraram em surpresa. Jack estava em pé, ao lado do porteiro, como se fosse seu companheiro.

- Seja bom e pegue-os para mim, Jack. Murmurou o homem, utilizando-se de uma voz escura, diabólica e porém atraente ao mesmo tempo. Jack concordou com a cabeça. Invocando também uma lança de tamanho médio, ele se lançou de volta, contra seus próprios amigos.

Saindo do caminho, Renée e Syon quae foram pegos pela lança. que foi prontamente cravada no chão. - Por que está fazendo isso?? Teresa berrou para ele, mas seu irmão não mais a ouvia. Seus olhos eram agora de uma cor vermelha como uma camélia, mas transmitiam apenas frieza da mesma maneira, levantando sua arma contra  a irmã, ele tentou estocã-la. Convocando sua própria espada, Teresa conseguiu defender-se dos primeiros dois rápidos golpes, porém precisou utilizar Flama Argentum - Uma técnica que cobria armas com fogo e as reforçava - para bloquear o terceiro, e nem assim ela pôde impedir o último da sequência, que estilhaçou a lâmina da irmã ao entrar em contato com ela. Sem dizer alguma palavra ou fazer algum som se quer, ele preparou a ponta da rapieira, visando perfurar Teresa com ela...

Utilizando-se de uma técnica parecida com salto com vara, Mildred pulou à frente do Dullahan, carregando a pequena debaixo de seus braços, esquivando-se do golpe de Jack. - Obrigada, Madame! Teresa agradeceu, abraçando a guardiã. Porém foi aí que ela percebeu que o resgate não havia saído sem seu preço. Mildred sangrava profusamento de seu lado esquerdo, demonstrando onde a rapieira a havia trespassado.

Robin cruzou lâminas com Jack, tendo um braço de espada provou-se útil para ela, pois conseguia responder tão rápido quanto ele podia atacar, e ainda conseguia acertá-lo com sua perna foice. - Me desculpe, mas não posso deixar que machuque os outros, mesmo que esteja sendo controlado, acharemos uma maneira! Robin declarou, antes de empurrar o garoto para longe dela, e ganhar um pouco de espaço.

Syon ajudava Sophie a se levantar, tendo exaurido algo de suas forças com a transferência de poder. Mas ele não pôde mais segurá-la, ao ver o que havia acontecido e que o plano havia falhado, a ira da garota tomou a melhor, e ela se desvencilhou dos braços de seu namorado, se lançando contra o Antigo, que até ali assistia as lutas internas com um olhar perplexo mas entretido no rosto. Ele desviou do soco eletrificado, desaparecendo e reaparecendo em seu lugar.

Antes que Sophie pudesse fazer algo, o homem a agarrou pela testa, sua mão cobrindo a face da garota. Todos os movimentos e impulsos de lutar contra o controle que a garota possuía pararam, e ele a soltou, seus olhos agora tão vermelhos e sem emoção quanto os de Jack. O antigo fez um sinal com a cabeça para sua nova discípula, e então deixou o salão central por uma rachadura na parede.

- Escute, minha criança, Aeryphit precisa ser parado, não podemos, em nenhuma circunstância, deixál-lo abrir o portão, ele está controlando Jack e Sophie com algum tipo de hipnose ou Thrall. Explicou Mildred, antes de entregar a garota para Renée, que correu com Teresa e Typho atrás pela mesma fenda pela qual o inimigo escapara. Olhando de volta, Sophie estava enfrentando Syon, e Robin encarando Jack, Mildred fez um simples pedido, para que eles tivessem a força de ir contra seus amigos...
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Capítulo 37: Dor para o Universo: Parte Dois

Mensagem  Jack Jerripher em Qua Out 30, 2013 2:03 pm


- M-mas o meu irmão! Ele ainda está sendo controlado! Teresa afirmou, tentando se desvencilhar do braço de Renée, que a puxava enquanto ambas avançavam por caminhos escondidos e esquecidos pelo tempo, atrás das paredes do templo.

''Eu deveria levar a Teresa embira daqui, mas não há tempo! E não podemos voltar atrás!'' Renée pensou consigo mesma, tentando imaginar como ela poderia acalmar Teresa. Os corredores se estreitavam muito e ainda mais o quanto mais as duas, e o bugbear, avançavam, estariam se aproximando da porta para os infernos?

Fagulhas voaram pelo salão quando as lâminas de Jack e Robin se bateram novamente, ambos forçavam suas armas ao máximo, era mais fácil para Robin fazê-lo, pois sua espada era seu braçco, mas a rapieira lendária de Jack não deixava a tarefa exatamente fácil. ''Qual é Jack? Eu sei que você é mais forte do que isso!'' Ela implorou, jogando toda sua força para empurrar e escapar do impasse ao qual ambos haviam se prendido.

Já ao lado de ambos, Syon segurava-se o quanto podia contra Sophie, mas não fazia tão bem como Robin conseguia. Uma sequência de chutes da Harpia foi defendida pelo bastão de Syon, mas com tanto peso que quase derrubou o garoto. ''Sophie...'' Murmurou ele com pesar em sua voz, recuperando seu equilíbrio.

Robin e Syon esbarraram um no outro, batendo costas com costas, enquanto desviavam de seus oponentes e amigos. Pensando rápido, eles trocaram de oponentes. Syon acertou Jack em cheio no peito com seu cajado, o derrubando e o fazendo agarrar o próprio peito em agonia, e Robin martelou o tronco de Sophie com seu braço martelo, a lançando contra uma parede próxima, porém, custando um arranhão vermelho vivo nos ombros da Dainslef.

''Precisamos continuar o quanto pudermos! Syon notou, segurando sua arma com muita força, obviamente ainda lutando com o fato de estarem enfrentando seus amigos.

''Deve haver um jeito de quebrar o Thrall de Aeryphit, deve haver... Robin notou, atando um pedaço de sua roupa rasgada ao ombro ferido, de relance, viu Mildred sofrendo ao chão, e por isso correu para ajudá-la.

Você quer velocidade? Robin parou de correr por um instante, ao ouvir a voz de Mildred em sua cabeça, mas voltou a fazê-lo, antes que Jack ou Sophie estivessem se levantando.

Preciso... Sim, quero! A garota pensou, e Mildred a encarou nos olhos, embora ainda caída no chão e se contorcendo. Removendo a mão de seu ferimento, Mildred desenhou um padrão em sua lança, utilizando-se da cor de seu sangue para pintar a alva presa. Robin chegou próxima à guardiã ferida, e esta, com sua última pitada força, enconstou sua lança na testa de Robi. A garota mordeu os lábios e fechou os punhos, enquanto Mildred arranhava sua testa com a áspera ponta de lança, criando um pequeno símbolo em formato de ''y''.

Robin foi subitamente tomada por um excesso de poder. De trás dela, Jack saltara, seus olhos agora vermelhos brilhando contra o salão mal iluminado de pedra. Ele segurou a rapieira e a apontou para baixo, realmente como um tigre que espreita e então pula em sua presa. Mas Robin estava preparada agora. O Y em sua testa desapareceu, junto com a garota, fazendo com que ela sumisse dali e Jack  ficasse preso ao chão por sua arma. ''Sinto muito por isso'' Disse Robin, e antes que Jack pudesse reagir, ele cuspiu sangue, e multiplos arranhões e vergões aparecerem em seu corpo, o derrubando novamente e fazendo-o desmaiar. Robin correu para ele, o segurando em um abraço antes que ele caísse. Com lágimas nos olhos, ela o apertou contra si mesma, olhando a desmaiada Mildred novamente e a agradecendo.

Syon rolou para o lado, desviando de uma barragem de trovões que Sophie lançava contra ele. Se um desses trovões o acertasse, o Medusa estaria perdido, deslizando rapidamente pelo chão, e se enrolando para continuar a desviar, a situação dele piorando a cada segundo. Ele tinha um plano, mas como saber se funcionaria? Ele precisaria se esforçar...

Enrolando seu corpo em uma pilastra, Syon consegiu se disfarçar e esconder de sua atacante, muito como uma cobra é inimiga natural de aves de rapina, a luta dos dois poderia ter ambos como vencedores. A tensão aumentava a cada segundo, e quando Sophie chegou centímetros mais próxima, Syon pulou, enrolando seu corpo em Sophie, tendo cuidado de amarrar suas asas e seus braços, ele a imobilizou. Transformando seu torso de volta a forma humana, ele a beijou. Em segundos, ela parara de se debater e lutar contra ele.

''Bem vindas... Bem vindas, eu estava quase ficando desapontado que ninguém veria meu momento de glória! A voz bela e mrtífera soou pelo imenso saguão secreto, e o Antigo se posicionou perante a grande porta, vermelha de uma madeira alien e engravurada com terrores de todos os tipos, ossos e cartilagens crescendo juntos a ela, quando Renée e Teresa adentraram na localidade...  
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